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Passados os governadores, é a hora de ouvir Pagot

Após Marconi Perillo e Agnelo Queiroz passarem sem arranhões pela CPI do Cachoeira, parlamentares têm pela frente nove requerimentos de convocação do ex-diretor-geral do Dnit, que denunciou PSDB e PT e desafiou a comissão a convocá-lo; o homem-bomba quer falar; a CPI vai ouvir?

Passados os governadores, é a hora de ouvir Pagot (Foto: Edição/247)

247 – Os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), passaram sem maiores problemas pela CPI do Cachoeira, que cumpriu, assim, sua vocação política. O fracasso das tentativas de ‘pegar’ os dois governadores deixou alguns parlamentares envergonhados, como verbalizou o deputado Silvio Costa (PTB-PE), que pediu uma autocrítica aos colegas de comissão. Diante do risco de desmoralização total, a CPI do Cachoeira tem uma chance para tentar se recuperar perante a opinião pública: deve, antes de qualquer coisa, convocar o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot.

A mesa da CPI recebeu nove requerimentos de convocação do ex-diretor-geral do Dnit, que podem ser apreciados nesta quinta-feira 14. “Ele disse com todas as letras que quer falar e desafiou: duvido que a CPI me chame”, lembrou o senador Pedro Simon (PMDB-RS) (leia mais). “Esta comissão agiria bem se aceitasse o apelo dele. Seria um gesto importante. Pagot está debochando de nós e ainda diz que os membros da CPI têm medo. Faço um apelo para que façam a convocação”, completou.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) engrossou o coro. “Sabemos que, aqui, pode até existir alguém com medo de Pagot. Mas, seguramente, a maioria não tem. Pois vamos convocá-lo sim, vamos cumprir o Regimento e vamos deliberar sobre isso, se possível, logo depois dos depoimentos dos governadores Marconi Perillo e de Agnelo Queiroz”, disse o líder do PSDB no Senado.

Mas nem todos os parlamentares veem importância no depoimento de Pagot. “Os casos citados pelo ex-diretor não têm relação com a comissão”, considera o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), antigo líder do governo na Câmara. Pagot disse à revista Istoé (releia aqui) que foi pressionado por políticos do PSDB para liberar recursos para o Rodoanel, que, segundo ele, serviriam para compor o caixa 2 da campanha do ex-governador José Serra à presidência em 2010.

Por outro lado, o ex-diretor-geral do Dnit disse que arrecadou, enquanto diretor do Dnit, para a campanha presidencial do PT em 2010, a pedido do então tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff e hoje deputado federal José Di Filippi Jr. (PT-SP). Serra e Alckmin classificaram como “calúnia” as acusações de Pagot. Já o deputado Filippi Jr. negou ter falado com Pagot sobre dinheiro para campanha. Para saber mais detalhes sobre os dois assuntos, os parlamentares da CPI do Cachoeira terão de convocar Pagot.