Perito da Lava Jato contesta laudo pago por defesa de Temer

O chefe da perícia da Polícia Federal na Força Tarefa da Lava Jato afirmou desqualificou o laudo do perito contratado pela defesa de Michel Temer para analisar a gravação feita pelo empresário Joesley Batista;  Fábio Salvador criticou a apresentação de um laudo em tão pouco tempo, cerca de 24 horas, e sem a análise do aparelho usado para gravar; "Como é que alguém conclui alguma coisa em apenas 24 horas, em período tão curto, sem sequer ter o aparelho? Isso demonstra um interesse, uma motivação. Que tem um viés", avaliou

Brasília - O perito Ricardo Molina durante entrevista sobre os aspectos técnicos da gravação de conversa entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - O perito Ricardo Molina durante entrevista sobre os aspectos técnicos da gravação de conversa entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Giuliana Miranda)

247 - O laudo apresentado por Ricardo Molina, perito contratado pela defesa de Michel Temer para analisar a gravação feita por Joesley Batista, foi bastante criticada pelo chefe da perícia da Polícia Federal na Força Tarefa da Lava Jato, Fábio Salvador.

"Como é que alguém conclui alguma coisa em apenas 24 horas, em período tão curto, sem sequer ter o aparelho? Isso demonstra um interesse, uma motivação. Que tem um viés", avaliou.

As informações são de reportagem de Bela Megale e Camila Mattoso na Folha de S.Paulo.

"O advogado convocado por Temer para cuidar das acusações, Antônio Claudio Mariz de Oliveira, contratou o perito Ricardo Molina para avaliar o áudio, diante da desconfiança do governo de que havia edições e cortes no que foi entregue para o Ministério Público.

Em coletiva de imprensa nesta segunda (22), Molina afirmou que o material não pode ser usado como prova e apontou "obscuridades".

"É decepcionante o uso que está se fazendo da expressão perito criminal. É uma humilhação".

A PF recebeu nesta segunda (22) um dos gravadores utilizados pelo empresário.

O segundo aparelho é esperado por delegados para a perícia. Ao STF (Supremo Tribunal Federal), a polícia afirmou que vai demorar 30 dias para ter uma conclusão.

"O que difere um perito profissional daqueles que se dizem peritos é o comprometimento com a missão institucional. Nós só temos uma missão, que é apurar a verdade dos fatos. Não sofremos influências externas como peritos contratados. Somos independentes", finalizou."

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