PGR: Padilha e Moreira receberam 13,3 milhões em propina

A Procuradoria-Geral da República recuperou informações do sistema Drousys, da Odebrecht, e diz haver provas de repasses de propina de R$ 13,3 milhões — em dinheiro vivo — aos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco; os dois são amigos íntimos e principais ministros de Michel Temer; Padilha, nos dados que estavam no Drousys, é “Fodão”, “Primo” e “Bicuira”; Moreira é o “Angorá”; Os relatórios elaborados pela Secretaria de Pesquisa e Análise da PGR, na gestão de Rodrigo Janot, serviram para comprovação do que foi dito pelos delatores da Odebrecht

Moreira Franco e Eliseu Padilha
Moreira Franco e Eliseu Padilha (Foto: Giuliana Miranda)
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247 - A Procuradoria-Geral da República (PGR) conseguiu recuperar dados contidos no sistema Drousys da Odebrecht e elaborou relatórios nos quais diz haver provas de repasses de propina de R$ 13,3 milhões — em dinheiro vivo — aos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco. Os dois são amigos íntimos e principais ministros do presidente Michel Temer. Os três despacham no Palácio do Planalto. Padilha, nos dados que estavam no Drousys, é “Fodão”, “Primo” e “Bicuira”. Moreira é o “Angorá”.

Os relatórios elaborados pela Secretaria de Pesquisa e Análise da PGR, na gestão de Rodrigo Janot, serviram para comprovação do que foi dito pelos delatores da Odebrecht. A perícia dos dados extraídos corroborou o que os executivos disseram nos depoimentos, como informam relatórios concluídos entre maio e o último dia 8.

O Drousys era um sistema paralelo de registro de informações utilizado pelo setor de propina da empreiteira. Um modo de garantir segurança à informação. Os dados inseridos em um terminal no Brasil eram registrados em um ambiente virtual hospedado na Suécia. Duas levas de HDs, com muitos terabytes de material, foram entregues à PGR. A gestão de Janot finalizou a perícia da primeira leva, de onde saíram as alegadas comprovações de entrega de dinheiro a Padilha e Moreira. A segunda leva ficou para análise pela gestão de Raquel Dodge.

O relatório mais recente produzido pela PGR detalha como R$ 200 mil foram entregues a Padilha, ou “Fodão”, como constava no Drousys. O dinheiro foi levado a Porto Alegre, e a senha para retirada era “comida”. Uma planilha no sistema da Odebrecht, recuperada por peritos da PGR, “mostra que os R$ 200 mil foram efetivamente pagos pela Odebrecht ao codinome ‘Fodão’ no dia 3 de agosto de 2010, na cidade de Porto Alegre”, como consta do relatório. “Fodão”, segundo os colaboradores, é codinome de Eliseu Padilha.”

Já um relatório de julho, também produzido a partir do Drousys, aponta Padilha como o “Bicuira”. “As planilhas encontradas no sistema Drousys revelam sete pagamentos no total de R$ 1.490.909,00 no ano 2010 feitos pela Odebrecht em favor de ‘Bicuira’, que, segundo os colaboradores é o codinome de Eliseu Padilha”, conclui o documento. No mesmo mês de julho, a PGR identificou pagamentos ainda mais antigos a Padilha, no valor de R$ 612,6 mil, que teriam ocorrido em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Nesse caso, a alcunha usada foi a mais conhecida: “Primo”.

As informações são de reportagem de Vinicius Sassine em O Globo.

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