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Pimentel ressurge com campanha do 'rival' Patrus

Principal patrocinador da aliança que levou Marcio Lacerda à Prefeitura de BH, ministro se desgastou com o rompimento com o PSB. Mas deu a volta por cima: liderou as articulações para o PMDB apoiar Patrus Ananias, antigo desafeto no PT mineiro; fará parte do conselho político da campanha; e deve até se licenciar do cargo para participar mais ativamente

Pimentel ressurge com campanha do 'rival' Patrus (Foto: Edição/247)

Minas 247 - O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, era um dos principais fiadores da aliança que levou Marcio Lacerda (PSB) à Prefeitura de Belo Horizonte. Por isso mesmo, é inegável que tenha sofrido grande desgaste depois do rompimento dos socialistas com os petistas, que acabaram lançando candidato próprio - não por acaso, o maior rival de Pimentel no PT mineiro, o ex-ministro Patrus Ananias.

Rival ou ex-rival? Surpreendendo a muitos, que julgavam-no escanteado pelos próprios petistas, Pimentel ressurge com força na campanha de Patrus. No próprio lançamento oficial da candidatura para os militantes do partido, há uma semana e meia, na sede municipal de BH, já havia sinais de que a “união” petista tão falada por seus dirigentes não é apenas discurso oco - e ela inclui Pimentel e seu grupo. Vaiado por parcela dos militantes presentes naquele evento, o ministro e amigo da presidenta Dilma Rousseff foi “socorrido” por dois ex-rivais: o vice-prefeito Roberto Carvalho, com quem se dava muito bem até que Carvalho brigasse com Lacerda (em 2011), e o próprio Patrus. “Não é hora de vaias, agora é hora de união de todos para eleger Patrus”, foi a palavra de ordem do vice-prefeito, o maior responsável pelo lançamento da candidatura própria do PT na capital mineira (foi ele quem lançou-se postulante à prefeitura na convenção do partido e, depois, abriu mão pelo ex-ministro responsável pelo Bolsa Família). Carvalho foi aplaudido por todos depois que pediu a união.

Patrus também reconhece o trabalho atual do ministro do Deseneolvimento. “(Pimentel) Foi fundamental”, diz Patrus Ananias. “A começar pela abertura do diálogo com o PMDB.” Pimentel, de fato, foi “escalado” pela própria Dilma para fazer a ponte entre os dois partidos aliados no governo federal. Os peemedebistas já haviam lançado como candidato o deputado federal Leonardo Quintão, um político muito próximo ao senador e ex-governador Aécio Neves. Sabendo dessa dificildade adicional, Pimentel chamou para uma conversa o próprio Quintão e o vice-presidente Michel Temer. O presidente do PMDB de BH, o também deputado Antônio Andrade, também participou da articulação. Nela articulação, praticamente ficou garantido o apoio do PMDB a Patrus.

Mas restava o problema do nome peemedebista a fazer chapa com Patrus. Novamente, Pimentel teve participação direta, segundo apurou o 247. Tentou-se inicialmente o próprio Quintão, mas esbarrou-se em eventual obstáculo com a militância petista. Já vacinado com os problemas que enfrentou no passado recente com essa mesma militância, Pimentel articulou um segundo nome.

“Posso dizer que ele foi fundamental no processo de escolha do meu nome”, diz ao 247 Aloisio Vasconcelos, o vice de Patrus na eleição de outubro. Quintão também vai na mesma linha: “Quem pediu o meu apoio para Patrus foi Fernando Pimentel”.

Um segundo passo para resgatar o ministro na campanha de Patrus foi garantir sua presença no conselho político da chapa. Fazem parte os presidentes dos partidos aliados a Patrus (PMDB, PCdoB, PSD, PRTB e PT), além do ex-ministro Luiz Dulci (muito próximo do candidato), do senador Clésio Andrade e Leonardo Quintão (para garantir união do PMDB em torno de Patrus) e o próprio Fernando Pimentel.

O ministro do Desenvolvimento participou, no último fim de semana, de caminhada com Patrus pelo bairro Venda Nova. Posou para fotos ao lado do candidato e buscou demonstrar que, se havia rusgas entre os dois, elas fariam parte do passado. Questionado se imaginava, há um mês, que estaria fazendo campanha para Patrus, o ministro não fugiu da pergunta: “Não imaginava, mas estou gostando muito”, afirmou, arrancando risos dos companheiros de partido.

Não se sabe até onde isso é de fato verdadeiro - afinal, estamos falando de política. Mas Dilma já avisou Pimentel que ele receberá total apoio para licenciar-se do cargo, na reta final antes do primeiro, para dedicar-se exclusivamente à campanha do petista.

Segundo o colunista da revista Época, Felipe Patury, um levantamento extraoficial feito em BH mostraria o ex-presidente Lula como principal cabo eleitoral na cidade, à frente até de Aécio Neves (49% a 44%). O detalhe é que o terceiro colocado nessa pesquisa é Pimetel, com 41% de influência sobre o eleitorado.

Restava ao ministro, portanto, vencer o desgaste natural de ter sido o principal patrocinador de uma aliança que, no fim, revelou-se ruim para o partido. Pelos últimos acontecimentos, ele parece estar vencendo essa batalha. A próxima certamente será a de 2014, quando seu nome certamente surgirá como um dos prováveis candidatos do PT ao governo mineiro. Mas, até lá, muita coisa ocorrerá - a começar pela campanha municipal deste ano.