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PMDB ocupa vácuo liberal deixado pelos tucanos

Desde que o PSDB abandonou a defesa da estabilidade fiscal, votando a favor de pautas-bomba no Congresso, sob a gestão do senador Aécio Neves (PSDB-MG), o PMDB, do vice Michel Temer, tenta tomar o lugar de "queridinho" do setor empresarial – e em especial do sistema financeiro; documento liberal "Uma ponte para o futuro", debatido ontem em Brasília durante congresso do PMDB, se presta a isso; não por acaso, dois ex-presidentes de Banco Central, Arminio Fraga e Henrique Meirelles, se aproximaram dos peemedebistas

Desde que o PSDB abandonou a defesa da estabilidade fiscal, votando a favor de pautas-bomba no Congresso, sob a gestão do senador Aécio Neves (PSDB-MG), o PMDB, do vice Michel Temer, tenta tomar o lugar de "queridinho" do setor empresarial – e em especial do sistema financeiro; documento liberal "Uma ponte para o futuro", debatido ontem em Brasília durante congresso do PMDB, se presta a isso; não por acaso, dois ex-presidentes de Banco Central, Arminio Fraga e Henrique Meirelles, se aproximaram dos peemedebistas (Foto: Gisele Federicce)

247 – O PMDB do vice-presidente Michel Temer busca mudar de status para "queridinho" do setor e empresarial – e em especial do sistema financeiro –, lugar ocupado até então pelo PSDB do senador Aécio Neves (PSDB).

A "vaga" foi aberta desde que os tucanos abandonaram a defesa da estabilidade fiscal. O discurso de que parlamentares do PSDB votariam pelo "interesse ao equilíbrio fiscal do país" durou apenas uma semana (leia mais). Ontem, 45 dos 47 deputados do partido tentaram derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff sobre o aumento do Judiciário, que criaria despesas adicionais de R$ 36 bilhões.

O documento liberal "Uma ponte para o futuro", lançado recentemente por Temer e debatido ontem durante o Congresso do PMDB em Brasília, se presta a isso. "Queremos o lugar do PSDB. Eles deixaram esse espaço vazio", diz um interlocutor do vice-presidente, segundo a jornalista Natuza Nery, da coluna Painel.

Não por acaso, dois ex-presidentes de Banco Central, Arminio Fraga e Henrique Meirelles, se aproximaram recentemente dos peemedebistas. Em entrevista à Folha, Arminio, que chegou a ser anunciado como ministro da Fazenda de Aécio durante a campanha presidencial, citou mais vezes o PMDB do que o PSDB.

Henrique Meirelles "conversou animadamente" com Michel Temer na última sexta-feira, segundo relata Eliane Cantanhêde em sua coluna de hoje. "A versão é de que Temer lhe apresentou pessoalmente o novo programa do PMDB, 'Uma ponte para o futuro', e Meirelles adorou. Detalhe: o documento é o oposto do que o PT defende", diz ela.

O fato de Temer ser o sucessor natural de Dilma caso seja aprovado o impeachment ou ela renuncie e Meirelles ser cotado a assumir o ministério da Fazenda no lugar de Joaquim Levy torna o encontro "instigante", na avaliação da colunista. Ontem, em declaração à imprensa quando chegou ao congresso do PMDB, Temer reforçou que o partido terá candidato ao Planalto em 2018, mas que não deixará o governo até lá.