Políticos repercutem demissão de Mandetta por Bolsonaro: 'ciúmes, vaidade, negação da ciência'

Parlamentares repercutem a decisão de Bolsonaro de trocar a equipe do Ministério da Saúde enquanto o Brasil contabiliza quase 2 mil mortes por coronavírus

Luiz Henrique Mandetta
Luiz Henrique Mandetta (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
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Por Nathalia Bignon, para o 247 - “Milhares sendo infectados, outros tantos morrendo, e a prioridade do presidente Jair Bolsonaro é mudar a equipe do Ministério da Saúde, que está cumprindo seu papel no combate à pandemia, apesar do próprio presidente. A demissão do ministro Luiz Henrique Mandetta e sua equipe em meio ao agravamento da pandemia do coronavírus é mais uma decisão absurda do presidente genocida. Vitória do coronavírus; derrota imensa do povo brasileiro à mercê de um presidente irresponsável, negligente e criminoso", assim definiu o deputado federal Márcio Jerry (MA), após o anúncio da demissão do ministro da Saúde, nesta quinta-feira (16). 

Anunciada nesta tarde, a partir de um tuíte do próprio ministro, a demissão foi formalizada logo depois pelo presidente Jair Bolsonaro. Na mesma ocasião, o empresário e oncologista, Nelson Teich, foi apresentado como novo chefe da pasta. Sem experiência na área da saúde pública, a repercussão foi imediata também entre os parlamentares.  

Danilo Cabral (PSB-PE), por exemplo, não poupou críticas à postura do presidente. “Como esperado, Bolsonaro optou, mais uma vez , pelo caminho medíocre de colocar seus interesses menores acima dos interesses do Brasil. Optar por demitir o ministro da saúde na iminência do pico da crise é um ato irresponsável e criminoso. Luiz Henrique Mandetta sai maior que entrou”, definiu. 

“Uma pena a demissão do ministro Mandetta. O conheci e é um profissional extremamente preparado para o cargo. E não falo só do combate ao coronavírus. O Governo perde com a sua saída. E a forma como ele saiu também é lamentável”, definiu o senador Plínio Valério (PSDB-AM).

Adiantando o desgaste que o novo ministro enfrentará, Nilto Tatto (PT-SP) divulgou um vídeo em que Teich defende a sobrevivência de um adolescente ante à decisão de salvar um idoso. “’Nelson Teich’ o novo ‘Ministro da Saúde’ deixa claro: para ele, saúde é um negócio onde o lucro prevalece sobre a vida das pessoas. Teich, assim como ‘Mandetta’, se alinha perfeitamente com Paulo Guedes e Bolsonaro em suas políticas genocidas”, criticou.

O médico, ex-ministro da Saúde e deputado federal (PT-SP) Alexandre Padilha aproveitou a chance para pedir que Mandetta não esqueça os ensinamentos deixados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Mandetta foi demitido pelos motivos errados, espero que ele não abandone o colete do SUS que vestiu durante essa crise”, definiu. 

Deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) não escondeu o receio. “Ouvir do novo ministro da Saúde que há um "alinhamento total com Bolsonaro" é como escutar uma marcha fúnebre, tendo o presidente da República como regente”, confessou. 

Líder do MTST e candidato à presidência pelo PSOL no pleito de 2018, Guilherme Boulos, não esqueceu o histórico de Mandetta, mas citou o bom trabalho desenvolvido na pasta. “Mandetta foi presidente de planos de saúde, foi contra os médicos cubanos e votou a favor do Teto de Gastos que tirou R$9 bilhões do SUS. É incrível que, com tudo isso, tenha perdido o cargo de Ministro por suas virtudes, não por seus vícios. Só no governo genocida de Bolsonaro.

Já o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) lamentou a demissão no cenário imposto pela pandemia. “O Presidente não demonstra grandeza nem mesmo na fase mais dramática para o país: paralisa o bom trabalho de Mandetta apenas para mostrar quem manda e não se sentir eclipsado. É um caso patológico de inveja e autoritarismo!”, comentou. 

Outro parlamentar, Túlio Gadelha (PDT-PE) também não poupou na crítica. “Por ciúmes, vaidade, negação da ciência (ou tudo isso junto) Bolsonaro demitiu Mandetta em meio à pandemia de Covid-19. Nenhum ministro equilibrado que realize um trabalho sério se segura nesse governo de terraplanistas”. 

Marcelo Calero (Cidadania-RJ) foi taxativo. “Um irresponsável com fortes indícios de insanidade. Esse é o incapaz que temos na Presidência da República, um sujeito que simplesmente não se importa com o país ou com o povo que governa, mas sim em atender sua família e aos seus caprichos levianos”, classificou.

Coletiva

Aplaudido de pé durante a coletiva em que formalizou sua demissão, Luiz Henrique Mandetta agradeceu os funcionários da pasta, recapitulou momentos de sua trajetória profissional e reiterou que seguirá em sua “defesa intransigente do Sistema Único de Saúde (SUS) e da ciência”. 

“Estamos só no começo da batalha. Se vocês precisam ficar por força do ofício, vocês sabem que ministros passam, o que fica é o trabalho do ministério da Saúde do Brasil. Que tenhamos um bom resultado”, disse, visivelmente emocionado.

Na sequência, Jair Bolsonaro, em mais um pronunciamento, afirmou que em uma conversa “positiva e cordial”, Mandetta encerrou seu ciclo na Saúde. No entanto, o presidente afirmou que já o exoneraria nas próximas horas. “Foi um divórcio consensual. Porque acima de mim, como presidente, e dele, como ministro, está a saúde”, comentou Bolsonaro.  

Economia

“A questão do coronavírus se abate sobre todo mundo, o Brasil não é diferente”, disse. Citando diversas vezes o impacto sobre a economia, Bolsonaro afirmou, ainda, que o Governo não é uma fonte de socorro eterna e que não foi consultado sobre prefeitos e governadores sobre as medidas de isolamento adotadas pelos estados e que não se responsabilizará pelos efeitos futuros.

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