PPS entra com representação contra Marco Maia
O PT estaria transformando a Polcia Legislativa numa central de arapongas?", o deputado Rubens Bueno, responsvel por encaminhar a representao contra o presidente da Cmara (foto)
Evam Sena_247, em Brasília – O PPS, partido de oposição, entrou agora há pouco com uma representação na Corregedoria da Câmara contra o presidente de Casa, Marco Maia (PT-RS) e o deputado federal Policarpo (PT-DF). Segundo reportagem da revista Veja deste fim de semana, Maia autorizou a Polícia Legislativa interrogar três ex-cabos eleitorais de Policarpo nas eleições de 2010. Eles denunciaram um esquema de compra de votos pelo deputado do DF.
Segundo a publicação, a Política Legislativa, cujo objetivo é cuidar da segurança dos parlamentares, do patrimônio e apurar crimes ocorridos nas dependências do Congresso, intimou e interrogou, na própria Câmara um sem-terra, um lavador de carro e um vigilante, sob acusação de chantagem por parte de Policarpo.
Os três, filiados ao PT segundo a revista, são testemunhas em um inquérito da Política Federal. Em entrevista a Veja, eles contaram que Policarpo deu R$ 4 mil para o sem-terra Francisco Manoel do Carmo alugar um ônibus e levar trabalhadores rurais do DF para votar no petista. O veículo teria sido parado pela polícia, que indiciou o sem-terra por crime eleitoral. Diante da negativa de Policarpo em conseguir empregos para os três e contratar advogado para defendê-los, os cabos eleitorais ameaçaram denunciar o deputado, o que motivou a reclamação de chantagem à Polícia Legislativa.
Segundo a revista, Policarpo confirmou que falou com Marco Maia sobre o caso antes de fazer a ocorrência, e o presidente da Câmara foi evasivo em sua resposta. “O Departamento de Polícia Legislativa se reporta diretament à Diretoria-Geral da Câmara”, teria dito em nota.
Para o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), a denúncia, se confirmada, abre um clima de desconfiança dentro da Casa. “O PT estaria transformando a Polícia Legislativa numa central de arapongas? Quem garante que nós, deputados da oposição e até base do Governo, não poderíamos estar sendo alvo de investigações clandestinas da Polícia Legislativa?”, questionou.
Bueno aponta que não é a primeira vez eu a Polícia Legislativa é usada para fins políticos. Em maio, no auge da crise que levou o ex-ministro Antônio Palocci a pedir demissão da Casa-Civil, a oposição tentava convocá-lo para depor na Câmara. Diante da resistência dos partidos da base, os oposicionistas fizeram campanha com cartazes, que foram tirados das mãos dos deputados pelos seguranças da Câmara, segundo o líder. “Desde aquela época estamos alertando para o uso político da Polícia Legislativa”, disse.
Marco Maia, negou que tenha sido informado sobre investigação da Política Legislativa contra o grupo acusado de chantagem por Policarpo e afirmou autonomia da polícia. Segundo ele, há “n” casos de ocorrências que não chegam ao conhecimento da presidência da Câmara. Maia acusou a revista Veja de omitir informações prestadas por ele.
“Não tenho nenhuma intervenção nesse caso, não sabia desse caso. É uma matéria desprovida de veracidade. Eu não tenho tempo, não acompanho e não tenho nenhuma intenção de intervir no trabalho da Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, que tem o poder de encaminhar inquérito, produzir informações e o faz com transparência e de acordo com a lei”, disse.