Preso por corrupção e morte, 20 anos depois

José Carlos Alves dos Santos, pivô do escândalo dos Anões do Orçamento, que abalou Brasília em 1993, finalmente é preso; em razão da idade, 71 anos, poderá ser beneficiado com prisão domiciliar; mora no setor boas casas do Lago Norte; foi chefe do Orçamento do Senado; Ministério Público demorou nove anos para denunciá-lo à Justiça; pegou dez anos e um mês de reclusão; guardava US$ 600 mil em casa; foi condenado por matar a mulher; e, repita-se, estava livre

29/06/1997. Crédito: Tina Coelho/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. O economista José Carlos Alves dos Santos, acusado do assassinato de sua mulher Ana Elizabeth Lofrano em 1992, durante julgamento em Planaltina.
29/06/1997. Crédito: Tina Coelho/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. O economista José Carlos Alves dos Santos, acusado do assassinato de sua mulher Ana Elizabeth Lofrano em 1992, durante julgamento em Planaltina. (Foto: Marco Damiani)
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Karine Melo - Repórter da Agência Brasil

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu hoje (13) o economista e ex-chefe da Assessoria de Orçamento do Senado Federal, José Carlos Alves dos Santos, 71 anos. No momento da prisão José Carlos, que fez parte do grupo que ficou conhecido como Anões do Orçamento, estava em casa, no Lago Norte, bairro nobre da capital federal.

Segundo o delegado chefe da DCPI (Delegacia de Capturas e Polícia Interestadual), Sérgio Henrique de Araújo, responsável pela operação, apesar do escândalo dos Anões do Orçamento ter vindo à tona em 1993, apenas em 2002 o ex-assessor foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) e sentenciado pela Justiça, pelo crime de corrupção passiva, a dez anos e um mês de reclusão. A ação da Polícia Civil cumpriu o mandado de prisão expedido pela Vara de Execuções Penais de Brasília.

Apesar da sentença ser para o regime fechado, por causa da idade e por tratar um câncer, os advogados de José Carlos devem entrar com recurso para que ele cumpra prisão domiciliar. O acusado está na carceragem do Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil do Distrito Federal.

À época do escândalo, denunciado pelo próprio Azevedo, foi feita uma CPI no Congresso Nacional que durante três meses investigou o esquema de propinas montado por deputados que atuavam na Comissão do Orçamento. Foram 18 acusados. Seis foram cassados, oito absolvidos e quatro preferiram renunciar para fugir da punição e da inelegibilidade.

O rastreamento das contas bancárias acabou derrubando o presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro (PMDB), o líder do PMDB, deputado Genebaldo Corrêa (BA) e o deputado baiano João Alves de Almeida (falecido em 2004), suposto chefe do esquema. Alves lavava o dinheiro comprando cartões de loteria premiados.

O ex-chefe da Assessoria de Orçamento do Senado, José Carlos Alves dos Santos, desmontou o esquema, ao denunciar as irregularidades. Mas ele próprio foi preso e acusado de assassinar a esposa, Ana Elizabeth Lofrano, que ameaçava denunciar à polícia o que sabia sobre o esquema. Na casa dele foi achada uma mala com mais de US$ 600 mil.

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