Promotor terá de deixar cargo no governo Marconi
Por unanimidade, Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) decide pela volta de Umberto Machado ao trabalho no no MP goiano. Ele terá de deixar a Secretaria de Meio Ambiente do governo Marconi Perillo, para alívio dos colegas promotores. Benedito Torres, irmão de Demóstenes, segue questionado
Vassil Oliveira_Goiás 247 – Foram seis votos a zero. Com este placar, o Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) votou pela volta do promotor Umberto Machado, que no final de fevereiro assumiu a Secretaria do Meio Ambiente do governo do goiano Marconi Perillo (PSDB), aos quadros do Ministério Público de Goiás. O assunto foi destaque no 247 em várias reportagens.
Umberto assumiu o cargo amparado justamente pelo CSMP, que na primeira decisão tomou como base a Resolução 72 do Conselho Nacional do MP (CNMP), editada em 2011 e que revogou artigos de outra resolução, de 2006, que proibiam o exercício de outros cargos públicos por integrante dos MPs.
A decisão inicial, porém, foi contestada pelo procurador de Justiça Waldir Lara Cardoso, que pediu ao CSMP que reconsiderasse a dispensa de Machado. Ele observou que a Constituição Federal proíbe integrantes do MP de exercerem função pública, salvo a de magistério.
Umberto Machado é criticado pelos colegas desde que tomou posse (leia aqui). O caso chegou a ser definido como "inconveniente e inapropriado”, por ter escolhido a hora errada e o lugar mais errado ainda para estar: um governo atolado no escândalo surgido a partir da prisão do contraventor Carlinhos Cachoeira na Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal.
A Operação Monte Carlo colocou no centro do desgaste público nacional o governador e o senador Demóstenes Torres, ele mesmo promotor e ex-procurador-geral de Justiça do Estado. Também pôs no fogo das denúncias o irmão de Demóstenes, Benedito Torres, atual procurador-geral. Benedito aparece citado em gravações e é acusado de ajudar o irmão a beneficiar Cachoeira com ações de dentro do Ministério Público.
A presença de Umberto Machado na administração estadual provocava desconforto aos promotores. Como fiscalizar os atos do poder público – atribuição que Machado já teve – com um de seus membros lá dentro, trabalhando pelo chefe do poder público em questão? Eis uma das questões levantadas (mais, aqui).
Assim é que a decisão do CSMP é técnica, na teoria, mas política, na prática. Agrada, no entanto, aos promotores e de certa forma tira um peso sobre os ombros da instituição. O alívio só não é maior por conta da difícil situação envolvendo o procurador-geral e fatos críticos como a denúncia de espionangem dentro da própria instituição (leia aqui). Ele não quer sair, como muitos gostariam. Nesse caso, é esperar para ver.
Para Marconi, fica o golpe de perder um auxiliar que não gostaria de ver fora, pelo simbolismo que era ter um promotor sob sua tutela, e porque é dos poucos nomes que não queria ver fora. Vários outros ele mesmo já tentou tirar, mas por fragilidade política e enfraquecido pelas brigas internas de sua equipe, não conseguiu.
Aliás, ele não tem conseguido tirar quem quer, mas é o segundo que cai independente de sua vontade. Na semana passada, a Justiça afastou por 180 dias o secretario de Cidadania e Trabalho, Henrique Arantes, do PTB (leia aqui). E agora Umberto. Quem sabe a Justiça dá uma mãozinha para tirar outros.