PT estuda indicar chapa puro sangue no Recife
Para não dar chances à intenção do PSB de lançar nome próprio na capital, PT pensa em anunciar o deputado João Paulo para prefeito e o senador Humberto Costa como vice; resta saber se eles topariam a missão
PE_247 – Uma eleição que tinha tudo para ser tranquila para o Partido dos Trabalhadores começa a tirar o sono dos filiados da legenda que querem a continuação do domínio na Prefeitura do Recife. Com uma oposição (DEM, PMDB, PSDB e PPS) desarticulada, restou para o partido encontrar um adversário à altura dentro da própria Frente Popular. Com a sinalização do PSB em indicar um nome alternativo, com apoio de grande parte da coligação, caberá ao PT encontrar a chamada solução “puro sangue” para o pleito de outubro, de maneira a brecar as intenções dos socialistas.
A possibilidade do PSB indicar um candidato levou muitos petistas a pensarem em alternativas de peso para a disputa. A indicação do senador Humberto Costa, com a benção do ex-presidente Lula, que era tratada como situação definitiva, já começa a ser rediscutida. Muitos petistas querem agora o retorno do deputado federal João Paulo à cadeira de prefeito do Recife, tendo Humberto como vice.
Os dois, que até alguns meses atrás não se entendiam dentro do partido, realizaram uma aproximação para impedir a possibilidade do atual prefeito, João da Costa, viabilizar sua candidatira e concorrer à reeleição. Mas até que ponto os dois maiores nomes do PT em Pernambuco estariam dispostos a esta união? Em entrevistas, João Paulo já disse que não pensa em ser vice-prefeito em uma eventual chapa puro sangue do PT. Por outro lado, Humberto também abriria mão da homologação da Executiva Nacional e do apoio de Lula para virar vice?
A pressa do PT é baseada no indicativo que dos 18 partidos que integram a Frente Popular, 14 se mostram dispostos a seguir as diretrizes determinadas pelo governador Eduardo Campos, independente do nome escolhido para representar o PSB. Os favoritos para a disputa são os ex-secretários estaduais Danilo Cabral, Tadeu Alencar, Geraldo Júlio e Sileno Guedes. Os petistas avaliam que com a entrada do PSB com uma candidatura alternativa seria o fim da Frente Popular, fato que complicaria não só a eleição atual mas todo o cenário para 2014.
“Uma candidatura do PSB nas atuais circunstâncias significa que a Frente deixará de existir. Não é algo que vá ser encarado como uma coisa normal do partido. E dividir a Frente é uma coisa complicada. Prejudica essa eleição e a futura”, revelou o presidente estadual do PT, deputado federal Pedro Eugênio, ao Jornal do Commercio. “Achamos importantíssimo a preservação da Frente. Vamos fazer todo o esforço possível. O que não é negociável é deixarmos de encabeçar essa chapa, tendo em vista que estamos à frente da Prefeitura há 12 anos”, acrescentou.
João da Costa
O deputado federal Fernando Ferro, aliado e defensor da atual gestão de JOão da Costa, disse em uma entrevista nesta manhã à Rádio Folha FM, que a possibilidade de uma candidatura encabeçada pelo deputado federal João Paulo tendo Humberto Costa como vice, "não passa de rumor. Segundo o parlamentar até que o Diretório Nacional julgue o recurso impetrado pelo gestor petista, João da Costa continua na disputa pelo direito de ser o candidato.