Quem manda?

A permanncia no governo de Antonio Palocci, agora oficialmente investigado, acintosa; sua presena em Braslia humilha e diminui a figura da presidente Dilma; ela tem duas alternativas: agir ou continuar a reboque dos acontecimentos

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Leonardo Attuch_247 – Este artigo é a crônica de uma imagem. Nela, cabe a seguinte questão: quem manda e quem é subordinado? Quem é o presidente e quem é o ministro? Antonio Palocci sorri, como se nada de mal acontecesse ao seu redor. Dilma Rousseff está contrariada. Orientada pelo presidente Lula, que nesta semana interrompeu suas férias e reassumiu a presidência (esta é a piada que se faz no PT), ela veio a público dizer que “Palocci está dando as explicações necessárias”. Falou pela primeira vez sobre o caso, mas não por vontade própria.

Naquele momento, Dilma ainda não sabia que seu principal ministro, o chefe da Casa Civil, agora é uma pessoa investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal. A Receita Federal terá 15 dias para fornecer a declaração de Imposto de Renda do ministro. E a Projeto, consultoria do ministro, será instada a fornecer a relação de clientes de Palocci. Três já são públicos: a empreiteira WTorre, a operadora de saúde Amil e o banco Santander. O presidente da construtora, Walter Torre Júnior, diz que é alvo de uma “palhaçada” e que “aposta nessa porcaria de País” (leia mais).

Se Palocci continuar no cargo, porque “um Pelé não pode ficar no banco de reservas”, como diz o presidente Lula, já se sabe qual será o desfecho da investigação do Ministério Público. A Projeto não fornecerá sua relação de clientes, alegando cláusula de confidencialidade e irá até o Supremo Tribunal Federal para defender o direito do principal ministro da República (que significa coisa pública) de proteger o sigilo de suas relações privadas. Neste cenário, será muito constrangedor para a presidente Dilma continuar a reboque dos acontecimentos, assim como deve ter sido constrangedor patrocinar um encontro com os senadores do PT, na quinta-feira, em que Palocci disse, com toda a naturalidade do mundo, que “ganhou muito dinheiro, sim”. Mas tudo dentro da lei, acumulando as atividades de deputado federal e consultor de empresas.

Não se sabe o que aconteceu em Brasília nos últimos dias. O que o ex-presidente Lula disse a Dilma e ao ministro Palocci será um segredo guardado por muito tempo. Mas as expectativas em relação ao governo Dilma estão se deteriorando rapidamente. No dia de ontem, a hashtag mais mencionada no Twitter foi #naoconfioemdilma, o que não é alvissareiro para uma presidente que, até dias atrás, tinha 70% de popularidade. E isso era fruto da percepção de que havia um chefe – ou uma chefe – em Brasília.

Terá sido a pneumonia? Ou serão as pressões que Dilma recebe do presidente Lula e de Antonio Palocci, que coordenou a arrecadação de sua campanha? Não se sabe, mas o fato é que a crise já reduz perigosamente a autoridade e a dimensão da presidência da República.

Resta uma dúvida. Por que ela ainda não deu um murro na mesa e disse: "Aqui, quem manda sou eu!" Afinal, os votos são seus, Dilma, e não de Lula ou Palocci.

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