Renovação no Senado é assim: Renan pós Sarney

Cinco anos depois de ter sido obrigado a renunciar ao seu mandato de presidente do Senado, após denúncias de que o lobista de uma construtora pagava suas despesas pessoais, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), na prática, já está eleito para comandar a Casa pela segunda vez; não há outro candidato, depois que os senadores contrários viram que não tinham chance de vencer; ele sucede a José Sarney, que já é presidente pela quarta vez

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247 – Praticamente eleito, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deve voltar à presidência do Senado no dia 1º de fevereiro, quando o Congresso retoma os trabalhos, após o recesso parlamentar. A renovação na Casa acontece assim: depois de ter sido obrigado a renunciar ao cargo, há cinco anos, Renan foi substituído pelo também peemedebista José Sarney, que já foi eleito quatro vezes presidente - no último período, por dois mandatos consecutivos. Sarney dá lugar agora outra vez ao presidente anterior.

Renan Calheiros não deve ter concorrentes na disputa, pois os senadores chamados de "independentes", contrários à sua candidatura, desistiram de lançar um nome. Formado, entre outros parlamentares, por Cristovam Buarque (PDT-DF), Pedro Taques (PDT-MT), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), o grupo avaliou que não teria chances de vencer a eleição. Eles são contrários à volta do senador alagoano ao comando da Casa em razão da crise protagonizada por ele em 2007.

Na época, uma série de denúncias, que partiu primeiramente da revista Veja, dava conta de que um lobista da empreiteira Mendes Júnior teria pago suas despesas pessoais. Foram sete meses de revelações sobre o caso, provocando um enorme escândalo contra o senador. De acordo com uma delas, o lobista pagava R$ 12 mil mensais como pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha. A renúncia permitiu que ele escapasse da cassação de seu mandato.

Com a candidatura de Renan, o PMDB provavelmente comandará as duas casas do Congresso. Na Câmara, há quatro candidatos – os deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Rose de Freitas (PMDB-ES) - atual vice-presidente da Casa - Ronaldo Fonseca (PR-DF) e Júlio Delgado (PSB-MG). O favorito é o peemedebista, que já tem inclusive o apoio do PT.

Protestos

Antes de desistir de lançar um concorrente, os parlamentares contrários à candidatura de Renan chegaram a afirmar que um novo nome na disputa serviria ao menos para provocar um debate. "Não é veto a quem quer que seja. Mas precisamos ter debate sobre o Senado, conhecer as propostas do novo presidente, o que ele acha de o Poder Legislativo ser pautado pelo Executivo, por exemplo. Como eu não gosto de eleitor de cabresto, também não quero ser senador de cabresto", afirmou o senador Pedro Taques (PDT-MT).

Além da discussão de nomes, um documento começou a ser elaborado por Cristovam Buarque (PDT-DF) cobrando compromissos do próximo presidente, independente de quem seja. O parlamentar pede maior transparência, mais competência na gestão e eficiência. O documento será discutido e Cristovam espera que ele seja divulgado com a assinatura de um grupo de senadores.

Único peemedebista que é oposição à gestão de Dilma Rousseff, o senador Jarbas Vasconcelos (PE) já avisou que não vota em Renan. "Se ele for o único candidato, não voto. Ou me retiro da votação ou voto nulo ou em branco", diz.

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