Requião critica PT por concessão de rodovias e ferrovias

Segundo o senador peemedebista, o "glorioso e inefável PT" reintroduziu em grande estilo "um dos piores defeitos do carater pátrio", o emprego do eufemismo, transformando privatização em concessão

Requião critica PT por concessão de rodovias e ferrovias
Requião critica PT por concessão de rodovias e ferrovias (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado )

Agência Senado - Em pronunciamento nesta segunda-feira (27), o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que o PT reeditou um dos cânones da desmoralizada cartilha neoliberal, com o lançamento recente de um programa de concessões no setor de infraestrutura.

Requião afirmou ainda que o "glorioso e inefável PT" reintroduziu em grande estilo "um dos piores defeitos do carater pátrio", o emprego do eufemismo, transformando privatização em concessão.

O senador lembrou que por seis vezes apoiou e trabalhou pelo candidato do PT à Presidência da República e que nos seus dois últimos mandatos governou o Paraná em aliança com o partido.

– Nesta Casa, sou da base do governo Dilma. Isso, no entanto, não me impede, não me inibe ou me descredencia a deplorar não apenas as desculpas piedosas ou a falta de originalidade nas explicações e as tentativas de trapacear a verdade, não apenas isso, mas sobretudo o fato em si, isto é, as privatizações. E elas são o que são: privatizações, sem rebuço, sem disfarce, cruamente, verdadeiramente privatizações. E eu sou contra – disse.

Segundo Requião, o discurso é o "mesmo de sempre", baseado na alegação de falta de recursos públicos para tocar obras de infraestrutura e na tese de maior eficiência da iniciativa privada.

Requião disse imaginar que o PT tivesse aprendido as lições do passado com as privatizações empreendidas pelo PSDB, em áreas como rodovias, ferrovias, energia elétrica e saneamento.

No capítulo das concessões brasileiras, disse Requião, há dois ingredientes típicos: o financiamento das privatizações e os contratos de concessão.

No financiamento, afirmou, o Estado empresta o dinheiro para que a iniciativa privada faça aquilo que o Estado não teria dinheiro para tocar. Já nos contratos, segundo Requião, os concessionários de ferrovias e rodovias assumem compromisso de extensão e duplicação das estradas, mas fazem o mínimo possível, só arrecadam e não sofrem qualquer punição.

– Não é piada, é assim mesmo que funciona. O BNDES e os fundos de pensão da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa investiram bilhões de reais nas privatizações. Modelozinho interessante, não acham? – perguntou.

Requião disse ainda que o "caos" da telefonia celular só recebeu atenção da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) porque os abusos foram "muito além do índice de abuso que a agência julga tolerável".

– Houve um momento em que imaginei que o PT seria firme e intransigente no repúdio ás privatizações, especialmente as privatizações à moda tucana, sem oposição, já que toda a mídia atua no coro das privatizações, e a ele não se opõem partidos progressistas – afirmou.

Embrapa

Requião comentou a expectativa de abertura de capital da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo o senador, a privatização interessaria às "sete irmãs" que dominam a produção de sementes e defensivos agrícolas, uma referência a gigantes transnacionais de pesquisa como Monsanto, Syngenta e Cargill.

Requião advertiu que recursos genéticos e demais bancos de pesquisa da Embrapa, bem como um dos mais fantásticos acervos de pesquisas agropecuárias e florestais do planeta, poderão se tornar propriedade de acionistas privados, embora todas essas informações tenham sido acumuladas ao longo de décadas de estudos executados com dinheiro público.

– Tudo vai ser entregue de mão beijada a Monsanto et caterva. Privatizar a Embrapa ou abrir o capital da empresa é mais um desses manjados argumentos de que abusam os liberais toda vez que cobiçam o naco de uma empresa pública. Mas faço fé na diretoria e nos funcionários da Embrapa – concluiu.

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