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Rosa Candiota é conhecida como defensora dos direitos sociais

Escolhida por Dilma para ocupar a vaga de Ellen Gracie no Supremo Tribunal Federal, ministra que ainda passar por sabatina no Senado conhecida como defensora dos direitos sociais

Rosa Candiota é conhecida como defensora dos direitos sociais (Foto: Divulgação/ TST)

Evam Sena_247, em Brasília – Sensível e defensora dos direitos sociais são atributos que colegas de trabalho dão à ministra indicada para o Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Maria Weber Candiota, ontem, pela presidente Dilma Rousseff. Ela ainda será sabatinada pelo Senado, do qual depende de aprovação para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria da ministra Ellen Gracie, em agosto.

Gaúcha de Porto Alegre, Rosa Maria fez sua carreira na Justiça do Trabalho e será a primeira vez que ela atuará com outros temas. É a terceira mulher a ocupar a Suprema Corte, e a segunda na composição atual, ao lado de Cármen Lúcia. Ela é primeira indicação de um representante do setor trabalhista pelo governo do PT. O primeiro e único ministro trabalhista no Supremo é Marco Aurélio, indicado há 21 anos.

A nova ministra não constava na lista inicial de candidatas quando Ellen Gracie deixou o Supremo e teve seu nome levado para Dilma por seu ex-marido, Carlos Araújo, com o apoio do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro.

De uma lista de 15 candidatas, ela desbancou favoritas ao posto, como a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi, que contava com a preferência da maioria dos ministros do STF; e como a ministra do Superior Tribunal Militar (STM) Maria Elizabeth, que tinha o apoio dos ex-ministros José Dirceu e Márcio Thomas Bastos.

Rosa Maria é formada em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e ingressou na magistratura em 1976, como juíza substituta. Em 1981, foi promovida ao cargo de juíza presidente, que exerceu sucessivamente nas Juntas de Conciliação e Julgamento de Ijuí, Santa Maria, Vacaria, Lajeado, Canoas e Porto Alegre.

Foi promovida em agosto de 1991 ao cargo de juíza do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4ª Região, onde foi vice-corregedora em 1999, corregedora regional entre 1999 e 2001 e presidiu da corte entre 2001 e 2003. Tomou posse como ministra do TST em fevereiro de 2006, depois de indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por ter 63 anos, Rosa Maria ficará no Supremo apenas sete anos, até completar os 70 anos, idade da aposentadoria e não chegará a presidir o tribunal. Esta é a segunda indicação de Dilma para o STF. Luiz Fux foi o primeiro.

Para o presidente do TST, João Oreste Dalazen, o nome de Rosa Maria foi uma “feliz indicação” de Dilma. “O Supremo ganha uma magistrada exemplar, de sólida e rica formação jurídica e humanística. Sensível, prudente e percuciente, ela certamente dará um excelente contributo à edificação da jurisprudência da Suprema Corte”, declarou.

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcanti, elogiou a escolha de uma mulher para a vaga. “"Essa expectativa foi atendida por conta de tudo o que as mulheres representam ao mundo jurídico”, afirmou. “[Rosa Maria] tem uma trajetória da defesa dos direitos sociais. Isso confere a ela legitimidade para integrar a Corte Suprema”, opinou.

"A ministra Rosa Maria mostra-se plenamente qualificada por seus próprios atributos profissionais e intelectuais para exercer com brilho as funções inerentes ao cargo de ministro do STF", afirmou o ministro do STF Celso de Mello. Já para o ministro Ayres Britto, é uma bom saber que a vaga deixada por Ellen Gracie será ocupada por uma "magistrada humanista".

Para o ministro Marco Aurélio, a escolha de uma juíza de carreira foi acertada. "É muito bem vinda a indicação de uma juíza de carreira, que traz a sensibilidade necessária para as causas sociais, que são basicamente as causas julgadas na área trabalhista".