Rui Costa Pimenta: há muitos graus de ditadura, visivelmente estamos em uma

O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou, em entrevista à TV 247, que o Brasil vive uma ditadura sob o governo Bolsonaro. “É uma ditadura que não suprimiu todos os aspectos do regime político, mas uma ditadura não precisa suprimir tudo para ser ditadura”, explicou. Ele também falou sobre a Lava Jato, classificando como “uma das maiores operações criminosas que o Brasil já viu”, e voltou a defender a liberdade do ex-presidente Lula. Assista

247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou à TV 247 que o Brasil vive um regime ditatorial sob o governo de Jair Bolsonaro. Ele explicou que apesar de a ditadura de Bolsonaro não ter um nível de repressão total dos direitos democráticos, é uma ditadura.

De acordo o dirigente, há vários graus de ditadura, nos quais o Brasil se encaixa em um nível em que não são suprimidos todos os  direitos democráticos do cidadão. Mas mesmo com a repressão mais branda, o presidente do PCO disse que é possível concluir que o brasileiro vive sob regime ditatorial.  

“O que nós temos no Brasil é uma ditadura, é uma ditadura que não suprimiu todos os aspectos do regime político, mas uma ditadura não precisa suprimir tudo para ser uma ditadura, há muitos graus dela. O Bolsonaro, agindo como ele age e vendo o que está acontecendo, visivelmente é uma ameaça de um aprofundamento brutal dessa situação que temos no Brasil contra os direitos democráticos da população”, afirmou.

Rui também falou sobre o papel dos militares no governo Bolsonaro, que podem ser o principal eixo de sustentação do governo. “É possível que o principal instrumento de sustentação do governo Bolsonaro neste momento sejam os militares, vendo a maneira como a crise se agrava. O Rodrigo Maia falou que vamos ter que tolerar o Bolsonaro até 2022, refletindo que há um veto à derrubada do Bolsonaro, mas isso é uma coisa relativa. Se a crise se aprofundar muito, o Bolsonaro vai ser consumido pela crise. Vamos ter uma situação bastante crítica, como na Argentina, e vão tentar colocar uma figura parecida com Bolsonaro, mas sem o custo Bolsonaro. A situação é cada vez mais crítica”.  

Lula  

O presidente do PCO comentou sobre a prisão do ex-presidente Lula que completou 500 dias nesta semana. Rui não demonstrou estar otimista quanto à liberdade de Lula. Ele acredita que a intenção será manter o ex-presidente preso, com uma possível progressão para o regime semiaberto. Rui concordou com a declaração do ex-presidente de que não sairia do encarceramento em Curitiba sem sua inocência provada. Para ele, sua ida ao semiaberto seria “uma manobra para atenuar a crise política no país”.

Ele ainda frisou a importância da mobilização popular na luta pela liberdade de Lula e salientou não ser possível confiar que as instituições farão com que a Constituição se aplique corretamente ao caso do ex-presidente.

“Eu acho que isso não deveria servir para a gente encarar que a coisa vai ter um final feliz por si só, mas que justamente era preciso botar pressão e mobilizar o povo para obter a liberdade do Lula à medida que as condições ficam mais favoráveis. Ter um concepção ativa e não passiva da coisa. Não dá para depositar nossa confiança em um Toffoli ou Gilmar Mendes. Esses são políticos que apoiaram o golpe, que estão profundamente comprometidos com o regime político e que aceitaram as ameaças dos militares em inúmeras oportunidades. A gente teria que confiar que em um momento de debilidade do governo e crise da Lava Jato. Uma grande mobilização poderia levar a uma crise que levasse à libertação do ex-presidente Lula”, avalia.  

Lava Jato  

Rui Costa Pimenta comentou sobre o enfraquecimento da Lava Jato e os últimos vazamentos das mensagens que escancaram as ilegalidades da operação. Para o presidente do PCO, a Lava Jato tinha um único objetivo: tirar a esquerda do poder.  

“Lava Jato foi uma das maiores operações criminosas que o Brasil já viu até hoje. Essa operação criminosa não tem nada a ver com a organização da administração pública, isso foi para derrubar um governo de esquerda, ponto final. Não tem mais nada por trás disso”.

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