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Saída de Marta afunila sucessão em São Paulo

Desistncia de senadora, at ento o nome mais forte na disputa, abre espao para novidades como Henrique Meirelles (PSD) e Jos Anbal (PSDB)

Saída de Marta afunila sucessão em São Paulo (Foto: Divulgação)

Evam Sena_247, em Brasília – O cenário para a disputa pela prefeitura de São Paulo, embora ainda impreciso, se afunila com o anúncio da ex-prefeita e senadora Marta Suplicy (PT) de não tentar concorrer ao posto. O ineditismo dos nomes que figuram como candidatos na maior parte dos partidos em eleições majoritárias e a baixa média de idade dos pré-candidatos sinalizam um esfriamento do debate de campanha e a predominância de discussões técnicas.

O quase certo candidato do PT e ministro da Educação, Fernando Haddad, nunca disputou uma eleição e tem experiência na área de administração pública, passando por assessoria a secretaria de Estado e ministérios. Acadêmico da área de educação, Haddad tem perfil muito mais técnico, menos agressivo e menos conhecimento sobre a administração do prefeito Gilberto Kassab do que Marta.

Pelo PSDB, as caras também são novas numa disputa para o Executivo municipal e não contam com a total simpatia da cúpula tucana: os secretários José Aníbal (Energia), Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente) e o deputado federal Ricardo Tripoli. Se a falta de força dos pré-candidatos petistas e tucanos já diminui a polarização entre os dois partidos, a presença de postulantes de outras legendas com certo capital político - como o deputado federal Gabriel Chalitta (PMDB), o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles (PSD) e o vice-governador Guilherme Affif (PSD) - também ajuda a pulverizá-la.

O único capaz de chacualhar o cenário para a disputa seria o ex-governador José Serra, que tem sofrido maior pressão do partido frente à suposta união do PT, que deve mesmo não decidir seu candidato por prévias. A experiência de Serra na administração da cidade e seu desejo de antecipar o debate presidencial de 2014 garantiriam mais sangue na corrida eleitoral.

A entrada de Serra na disputa seria um golpe de mestre que uniria o PSDB, o DEM e o PPS contra o candidato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tal manobra, porém, é desacreditada por analistas políticos, para os quais seria uma derrota para o plano político de Serra, que é disputar a presidência novamente em 2014.

Na opinião do cientista político João Guilherme Vargas Neto, o processo de escolha pelo PSDB do candidato, com Serra na disputa, já traria sequelas para o partido em São Paulo e à união que será importante no apoio à sua escolha como candidato a presidente dois anos depois. “Se ele ganha, ele é condenado a ser prefeito a quatro anos e sair do jogo que ele considera importante”, declarou.

Apesar da pressão de Lula e da presidente Dilma Rousseff para a saída de Marta da disputa interna petista, para Vargas Neto, a ex-prefeita quem escolheu sair do jogo “com sagacidade”. O cientista político traça uma simetria entre a decisão de Marta e a de Serra de não participarem, por analisarem o quadro e preverem mais prejuízos que benefícios políticos.