Sakamoto: Para vice de Bolsonaro, a malandragem é africana e a indolência, indígena

Jornalista Leonardo Sakamoto critica a posição do general da reserva Antônio Hamilton Mourão, vice do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL); "Valores passados cuidadosamente e ao longo do tempo vão colando em nossos ossos e nos transformando em cães de guarda do preconceito alheio", disse o jornalista

Sakamoto: Para vice de Bolsonaro, a malandragem é africana e a indolência, indígena
Sakamoto: Para vice de Bolsonaro, a malandragem é africana e a indolência, indígena (Foto: Dir.: ABR)

247 - Jornalista Leonardo Sakamoto critica a declaração do general da reserva Antônio Hamilton Mourão, vice do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Mourão disse, conforme publicação de Veja: "Temos uma certa herança da indolência [vagabundagem, preguiça], que vem da cultura indígena. Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem, Edson Rosa [vereador negro, presente na mesa], nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, esse é o nosso caldinho cultural".

Após relatar que o general disse que não vê problemas pela declaração, pois se afirma como indígena, nem afirmar se reconhecia como afrodescendente, Sakamoto afirma que "a justificativa, claro, não resiste a uma reflexão básica". "O preconceito de alguns membros contra o grupo social ao qual pertencem é um problema comum. Valores passados cuidadosamente e ao longo do tempo vão colando em nossos ossos e nos transformando em cães de guarda do preconceito alheio. A ponto de internalizarmos e defendermos a visão do opressor como a nossa própria".

Segundo o jornalista, a "caminhada para a desconstrução dos preconceitos é uma estrada longa, complicada, mas que todos devemos tomar. E sempre é tempo para abraça-la, seja na ativa, seja na reserva". "A História do sofrimento humano, que moldou a forma como nos relacionamos com o mundo e com as outras pessoas hoje, seja conhecida e contada nas escolas até entrar nos ossos e vísceras de nossas crianças e adolescentes a fim de que nunca esqueçam que a liberdade do qual desfrutam não foi de mão beijada. Mas custou o sangue, a carne e a saudade de muita gente", acrescenta.

Leia a íntegra no Blog do Sakamoto

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