São 8h10: será que Jobim já caiu?

O ministro mais folgado do governo passou todos os limites

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Será que o ministro Nelson Jobim dura no cargo o tempo de eu terminar e publicar esse artigo? São 7h53. Preciso me apressar, porque a situação dele tornou-se, em razão de uma árdua batalha pessoal do próprio Jobim, insustentável. Talvez influenciado pelo ambiente bélico naturalmente existente no Exército, na Marinha e na Aeronáutica – as instituições estratégicas que ele deve chefiar -, o (ainda?) ministro anda atirando para todos os lados. Ele que deveria dar um exemplo de comedimento e sobriedade, padrões de comportamento muito caros aos militares, se mostrou um falastrão destemperado. Está pedindo para se tornar ex-ministro. Seu plano é tornar-se uma força política de per si para tentar algum voo maior na sucessão da própria Dilma, em 2014, numa composição com os tucanos a quem ele já serviu como ministro e tanto admira.

“O Lula diz palavrão, Fernando Henrique é um lorde”, comparou Jobim em entrevista à revista Piauí, que circula amanhã – talvez quando Jobim já for ex-ministro.

Porque a presidente Dilma Rousseff pode suportar uma ou outra gafe de seus ministros, isso é natural. Mas a saraivada de provocações detonadas por Jobim – repita-se, o ministro mais folgado do governo – passou de todos os limites.

“Ideli é muito fraquinha”, disse ele, indispondo-se, é claro, como uma figura central no governo, recém-chegada, a ministra “da casa” Ideli Salvati – uma escolha, de resto, pessoal e não negociada com ninguém da própria presidente Dilma.

Outra indicação da presidente, a ministra chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann não serve para o cargo, disse Jobim. Afinal, segundo ele, “Gleisi nem sequer conhece Brasília". E por aí foi o ministro, marcando uma posição, digamos, diferenciada em relação ao coletivo a que pertence.

São 8h02. Melhor atalhar para o ponto final. Ontem, depois de duas horas de conversa a portas fechadas, Jobim foi para a Amazônia e Dilma debruçou-se no trabalho. Hoje, se ela passar a mão no telefone e promover a exoneração de Jobim via DDD, estará apenas atuando no nível que o próprio Jobim propôs para o debate: o mais baixo. Se Dilma vacilar, o clima dentro do governo, no PT, entre aliados e etc, vai ficar insuportável para muita gente. Jobim foi longe demais. Extremamente deselegante.

Em tempo: na amena entrevista que deu ao Roda Viva, o ministro disse que só perde a calma com sua mulher, não com jornalistas etc. Mentira. Basta pegar a fita de um Roda Viva feito uns 10 anos atrás, com ele no centro da roda e eu como perguntador. Quando eu quis saber dele, então ministro da Justiça de FHC, o que achava da legislação elitista que concede prisão privilegiada para brasileiros com curso superior completo, ele se revoltou, apontou o dedo e começou a gritar “J'accuse!”, citando Émile Zola. Está lá no arquivo: um pastelão agressivo.

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