Sem caráter?

O governo Dilma parece destinado a administrar escândalos, com a imagem da presidente “durona” cada vez mais perto da caricatura que da realidade

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Há alguma diferença entre não se ter caráter e se ter caráter ruim. Uns, parvos, “marias-vão-com-as-outras”, retratam a fraqueza moral. Outros, fortes, decididos, comprometidos com a delinquência, são ativos na dilapidação da ética.

O governo Dilma Rousseff, apesar da presença de corruptos, aloprados e corruptos aloprados, me parece mais sem caráter do que dotado de mau caráter. É fraco, não pune de verdade, não toma atitudes, é inerte administrativamente.

Parece fadado a passar seu quadriênio às voltas com inflação alta, desajuste fiscal (o que propôs é falso), juros elevados, marasmo decisório. Parece destinado a administrar escândalos, com a imagem da presidente “durona” cada vez mais perto da caricatura que da realidade.

Montou formidável (numericamente, claro) base de apoio na Câmara dos Deputados e no Senado. Ao mesmo tempo não se dispõe a apresentar e aprovar nenhuma emenda constitucional reformista e polêmica. Resultado: vira refém da fisiologia, permitindo que se amplie a “formula” que Lula aperfeiçoara: feudos partidários, verdadeiras suseranias, dividindo, feito espólio de guerra, a máquina pública.

Fortalece seus “sequestradores”. Síndrome de Estocolmo pura. Masoquismo politico.

Qual a razão de tanto deputado e senador “aliado”? Medo de CPIs? Mas se Lula já havia desmoralizado esse instituto secular, arma da minoria em defesa da sociedade?

Como? Ora negando-as ou enchendo-as de “paus mandados”, suplentes ou figuras do baixo clero, para evitar, ao preço do descrédito do Parlamento, qualquer apuração séria sobre corrupção.

A presidente poderia fazer História. Falaria ao País, listaria as reformas necessárias e inadiáveis, instaria as oposições a se manifestarem sobre a pauta nacional e diria um “não” rotundo às práticas que lhe vêm manchando a gestão.

Reduziria o número de Ministérios para 18 (são 39 ou 40 hoje) e cortaria 70% dos cargos comissionados (25 mil atualmente), em busca de lisura e eficiência. Promoveria verdadeiro ajuste fiscal e recomporia a economia que está falaciosamente “bem”, sem eleições ou reeleições.

Em poucas palavras: mostraria (bom) caráter e marcaria sua época. Ou continuaria a percorrer o roteiro da mediocridade e da mesmice.

Como está, é governo insosso, inodoro e incolor, a bem da sinceridade.

Defina-se, presidente. O Brasil não pode ser a pátria da hesitação.

*Diplomata, foi líder do PSDB no Senado

 

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