Serra já é um peso até para Gilberto Kassab

Indefinio do tucano prejudica planos locais e nacionais do PSDB; alm disso, o prprio PSD fica refm do ex-governador; prefeito de SP tenta convencer petistas, porm, de que apoio ao aliado no compromete acertos entre o PT e seu partido

Serra já é um peso até para Gilberto Kassab
Serra já é um peso até para Gilberto Kassab (Foto: HELIA SCHEPPA/AGÊNCIA ESTADO)

247, com Agência Estado - Nas mesmas conversas mantidas com dirigentes petistas semana passada, nas quais avisou-os de que estancaria o movimento de aproximação ao PT atendendo a um pedido de José Serra (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) afirmou que, embora não tenha como deixar de embarcar na possível candidatura do tucano na capital paulista, considera o eventual apoio ao ex-governador um atraso em seu projeto político nacional. A indefinição do tucano não atrapalha apenas os planos de Kassab, mas do próprio PSDB, que presenciou uma briga interna entre lideranças e militantes, que lutam pela realização das prévias do partido. Como afirma reportagem publicada na revista Istoé dessa semana, ao não oficializar sua candidatura, Serra deixa mais uma vez seu partido e aliados reféns de sua decisão (leia aqui).

Em pleno carnaval, Kassab fez questão de ir até Recife elogiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), aliado do Planalto. Foi também com essa preocupação, diz um petista que conversou com o prefeito, que Kassab esteve em Brasília há uma semana para um encontro com a presidente Dilma Rousseff: queria convencê-la de que o suporte que poderá vir a dar a Serra na eleição deste ano não compromete os entendimentos já firmados por ele com o governo federal nem os acertos entre PT e PSD pelo País afora.

O encontro não estava previsto na agenda presidencial, que foi alterada no início da noite para a inclusão do compromisso. Naquele dia, a agenda de Dilma previa apenas despachos internos. A mudança de última hora foi interpretada por petistas como um sinal claro não apenas de que Serra está cada vez mais inclinado a disputar a eleição como também de que Kassab estava preocupado com os efeitos dessa mudança de cenário.

O prefeito de São Paulo, bem como boa parte dos que ingressaram no PSD, fazem um movimento de migração da oposição para a situação, tanto na esfera federal como nos Estados e municípios. Kassab vê na aproximação com o petismo um futuro político mais próspero do que na órbita tucana. O único entrave para uma mudança completa de lado é justamente a dívida de gratidão que tem com José Serra, de quem foi vice-prefeito e quem o projetou na cena política.

Os petistas que travaram contato com Kassab na última semana disseram ao Estado que o prefeito parecia abatido e afirmaram ter ficado com a impressão de que ele preferia o ex-governador fora da disputa, inclusive porque vislumbrava, com o PT, um horizonte mais límpido para 2014, no qual teria boas chances de assegurar a vaga de postulante ao Senado ou a vice-governador, algo mais incerto no PSDB, onde permanecem as rusgas entre serristas e alckmistas.

Com um pé na canoa petista e outro na canoa tucana, o prefeito tende a ser visto com desconfiança pelos dois lados porque não deixa claro em que campo pretende estar nas eleições de daqui a dois anos. A ambiguidade, porém, também pode aumentar o valor de seu futuro apoio.

Serra. A ao menos duas pessoas Kassab relatou uma mesma versão de um diálogo que afirmou ter mantido com Serra. Segundo o prefeito, o tucano se sente pressionado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e vê uma tentativa de parte do partido de jogar em suas costas a responsabilidade de uma eventual derrota no pleito de outubro, caso opte por não concorrer.

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