Sete anos depois, Jefferson conta sua nova versão

Roberto Jefferson, responsável pela maior crise política recente, tem uma nova história a revelar aos ministros do STF. A compra de parlamentares, o mensalão, agora é acordo eleitoral de campanha. O ex-presidente Lula, antes inocente, agora é o principal responsável. Quando ele mentia: ontem, hoje ou nos dois momentos?

Sete anos depois, Jefferson conta sua nova versão
Sete anos depois, Jefferson conta sua nova versão (Foto: Montagem/247)
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247 – Junho de 2005: “Sai rápido daí, Zé, para não tornar réu um homem inocente, que é o presidente Lula”. Eis a frase emblemática da crise política deflagrada naquele ano pelo ex-deputado Roberto Jefferson. Dois dias depois, o ex-todo-poderoso-ministro da Casa Civil, José Dirceu, caiu. Lula perdeu aquele a quem chamava de “capitão do time”.

Logo mais, no entanto, o responsável pela hecatombe política contará uma nova versão, por meio de seu advogado Luiz Francisco Barbosa. Diante dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, serão lidos trechos de suas alegações finais, que já não tratam mais o ex-presidente Lula como um “homem inocente” ludibriado por Dirceu. “A razão do ilustre acusador ter deixado de denunciar aquele que, por força de disposição constitucional, é o único que, no âmbito do Poder Executivo, tem iniciativa legislativa, o Presidente da República (...) é um mistério que esta Ação Penal, incompleta e descabida, não revela”.

A responsabilização de Lula não é o único ajuste nas versões de Roberto Jefferson. O mensalão, entendido como compra regular de parlamentares, é algo que não existe mais. Ao menos no que diz respeito aos R$ 4 milhões entregues pelo PT ao PTB, em 2004. Isso seria fruto de um acordo eleitoral, de parceria nas eleições municipais daquele ano. Jefferson não admite nem a prática de caixa dois. “Teríamos de saber se os candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador declararam ter recebido as doações do PT”, diz o advogado Barbosa.

Fica claro, portanto, que as histórias contadas por Jefferson ontem e hoje são completamente diferentes. Ontem, seu objetivo era se vingar de José Dirceu, e o mensalão era uma mesada de R$ 30 mil/mês a parlamentares, conforme denunciado à Folha de S. Paulo. Hoje, os recursos dizem respeito a alianças eleitorais. Ontem, o ex-presidente Lula era inocente, que poderia ser tornado réu caso José Dirceu não renunciasse à Casa Civil – chantagem explícita à qual o governo cedeu. Hoje, Lula é o responsável por todo o esquema.

As duas versões são incompatíveis e não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Quando Jefferson mentiu: em 2005, hoje ou nos dois momentos? Hoje, começa seu encontro marcado com a verdade.

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