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Só Dilma pode resolver crise de Marta, Lula e PT

Senadora nega promessa de comparecimento ao lançamento de Fernando Haddad em São Paulo; não enxerga gestos objetivos do partido em defesa de sua gestão na Prefeitura; intervenção da presidente Dilma é única alternativa para aplacar mágoa e decepção frente a Lula e o PT

Só Dilma pode resolver crise de Marta, Lula e PT (Foto: Edição/247)

Marco Damiani _247 – O ex-presidente Lula tomou nesta segunda-feira 4 vacina contra gripe, mas quem está imunizada contra o próprio Lula é a senadora Marta Suplicy. "Ela vai participar da campanha do Haddad com o mesmo carinho de sempre", disse Lula a jornalistas, questionado sobre a ausência da senadora no lançamento oficial da candidatura do ex-ministro da Educação à Prefeitura de São Paulo, no sábado.

Sorry, Lula, mas sob ordens, pressão ou mesmo 'por amor', Marta não pretende ir a lugar nenhum por Haddad e o PT. É o que ela tem dito aos mais próximos, magoada ao extremo com o comportamento do ex-presidente e do partido no trato que a campanha vai dando à memória de sua gestão na Prefeitura de São Paulo (2001-2005). A senadora se irrita com o discurso de que Haddad "é o novo", porque acredita ter deixado uma obra a ser lembrada e defendida agora, como os CEUs – Centros de Educação Unificada – que criou e, efetivamente, mudaram a paisagem da periferia paulistana.

Além disso, Marta não engole o que considera "autoritarismo" da cúpula partidária, que agora começa a depositar na sua conta a responsabilidade pela fraco desempenho de Haddad. "A Marta está errando politicamente. A ausência dela materializa algo muito grave. Ela renuncia à sua liderança política no momento em que o PT mais precisa dela", disse, por exemplo, o presidente estadual do PT, Edinho Silva.

A verdade é que Marta se sentiu "massacrada" por Lula e o PT quando lhe foi pedido para desistir em favor de Haddad, no final do ano passado, apesar de ter 30% de intenções de votos nas pesquisas eleitorais. Ela avalia que disputar as prévias não teria sido uma alternativa válida à desistência, apontando, nos círculos mais próximos, a intervenção que o PT está promovendo, neste momento, em Recife, onde o atual prefeito João Costa ganhou mas não vai levar.

É apenas e tão somente a presidente Dilma Rousseff, que se associou a Lula no movimento de fazer Marta abrir mão de sua intenção de concorrer, que pode reaproximar Marta do PT e de Lula. A senadora não tem pedidos a fazer. Quer, apenas, receber a atenção que merece, obter uma perspectiva política, ela que vê seus caminhos barrados, um a um, pela cúpula do partido e seu líder mais expressivo. Já fora disputa, as batidas de pé como as de Edinho Silva, que joga na pressão para enquadrar Marta, nem sequer sensibilizam a senadora que, sabe-se, não tem medo de cara feia. Se o PT a quer mesmo, não vai ser por aí.