Taques ganha apoio do PSDB contra Renan
Senador do PDT confirma candidatura à presidência da Casa e recebe apoio do PSDB, dificultando assim o retorno do favorito Renan Calheiros (PMDB). Vice-presidente, Michel Temer diz que o fato de o peemedebista ter deixado o cargo em 2007 sob denúncias não descredencia seu nome; "Ele pode fazer uma belíssima gestão"; ministra Ideli Salvatti afirma que Planalto não tem preferência por candidato
247 – Ao confirmar oficialmente sua candidatura à presidência do Senado, o senador Pedro Taques (PDT-MT) dificulta o retorno de Renan Calheiros, favorito na eleição marcada para 1º de fevereiro à volta do comando da Casa. Ao contrário do já candidato Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que não teve o nome bem recebido pela oposição, Taques é apoiado pelo PSDB, tendo assim mais chances de vencer.
O parlamentar afirmou, em entrevista ao site da revista Veja, que decidiu agir com a recusa do Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que apesar de serem do mesmo partido que Renan, representam o pensamento da oposição. "Gostaria que um desses dois do PMDB pudesse ser candidato. Eles têm decência, têm experiência, mas parece que não vão aceitar. Coloquei meu nome à disposição. O que não pode é haver um candidato só", disse.
Nesta quarta-feira, o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), publicou em seu blog o apoio do partido a Taques. "Não queremos transformar a eleição para a Presidência do Senado em confronto entre governo x oposição. A disputa deve se dar entre os que querem manter o 'status quo' contra os que desejam mudar a postura e o conceito da instituição parlamentar, reabilitando-a diante da sociedade brasileira. Por isso a carta compromisso a ser sustentada pela candidatura alternativa que apoiamos. Sugeri o nome do Senador Pedro Taques, PDT, coerentemente com esses objetivos", publicou o tucano.
Na opinião do vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer, apoiou nesta quarta-feira o nome de Renan, afirmando que ele foi escolhido "pelo Senado e pelo partido". Temer não acredita que o fato de Renan ter deixado a presidência do Senado em 2007 em meio a escândalos em sua gestão descredencie sua candidatura. "Ele pode fazer uma belíssima gestão", declarou. Ele se encontrou nesta quarta com atual presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e disse que foi uma reunião de "cortesia", antes de ele deixar o cargo.
Governo se diz imparcial
De acordo com a ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Relações Institucionais, o Planalto "não tem preferência" por nenhum dos candidatos que disputam a presidência da Câmara e do Senado. "O Planalto não tem preferência porque a preferência nossa é que eles escolham e a gente possa continuar tendo essa relação produtiva, benéfica para o País que tivemos ao longo desses últimos dois anos", disse a ministra.
Ela ressaltou que a escolha da presidência das duas Casas cabe ao Congresso Nacional, que deverá avaliar as denúncias que envolvem os candidatos Renan Calheiros (ao Senado) e Henrique Eduardo Alves (à Câmara). "A deliberação da presidência e mesa é uma deliberação autônoma, soberana do Congresso Nacional. Estamos apenas acompanhando e respeitaremos como sempre a deliberação soberana dos deputados e senadores. Não há qualquer comentário. A deliberação é soberana do Congresso", acrescentou.