Temer põe em dúvida a reeleição de Dilma
Em entrevista, vice Michel Temer diz que 2014 está distante e que a reeleição não é um “conceito absoluto”; será que ele também está aderindo ao time que prefere a volta de Lula?
247 – O vice-presidente Michel Temer, do PMDB, deveria estar, hoje, no melhor dos mundos. De duas semanas para cá, com o início de uma disputa sangrenta entre PT e PSDB em várias capitais, seu partido voltou a ser apontado como o parceiro preferencial do governo Dilma – o que lhe garantiria a vaga de vice, cobiçada pelo PSB, em 2014. A própria presidente também teria sinalizado apoio a uma antiga reivindicação do PMDB: a de que o partido comande as duas casas do Congresso, Câmara e Senado, já em 2013, provavelmente com o deputado Henrique Eduardo Alves e o ministro Edison Lobão, que retornaria ao parlamento.
No entanto, uma entrevista concedida por Temer neste domingo sinaliza que as negociações não estão tão fechadas assim. Ao falar à jornalista Eliane Cantanhêde, da Folha de S. Paulo, Temer afirmou que “reeleição não é conceito absoluto”. O que, vindo da boca de um vice-presidente da República, tem peso maior. Confira alguns trechos:
O apoio do PMDB ao PT em Belo Horizonte
“Contribuímos muitíssimo para a solução em Belo Horizonte, que é muito importante para o PT. Eu percebi, aliás todos nós do PMDB, inclusive o candidato Leonardo Quintão, percebemos, que deveríamos abrir mão da candidatura própria, que tinha muito significado e peso eleitoral, para fazer a aliança sólida com o PT. Uma aliança com repercussão nacional.”
As ambições do PSB
“O PSB tem um papel a desempenhar no Brasil e no apoio importantíssimo que dá ao governo e acho natural que busque ampliar seu raio de ação, especialmente nas eleições municipais. Veja o PMDB: é um partido forte, significativo, pelo número de governadores, prefeitos, vereadores, por ter a maior bancada na Câmara e no Senado.”
A reeleição de Dilma
“O que está em jogo é tudo em 2014! Primeiro ponto é que, depois de instituída a reeleição no Brasil, a ideia é a seguinte: quem foi eleito tem de concorrer à reeleição, para não perder o poder. Estabeleceu-se esse conceito que não é um conceito absoluto. Segundo ponto é que, havendo a reeleição, quem foi bem no governo deve se reeleger. Agora, o que vai acontecer em 2014 está ainda muito distante. Quem está pensando só em 2014 está sendo afoito, apressado. E, aí, come cru.”
A vaga de vice em 2014
“Ser vice-presidente, em especial na atual conjuntura, tendo como companheira a presidente Dilma, é uma coisa muito boa, produtiva institucionalmente. É natural, portanto, que haja inveja, mas é um sentimento negativo. Ela se volta contra o invejoso. As pessoas devem é trabalhar de uma maneira que as habilite a ocupar os lugares, seja de vice, seja de presidente.”
O PMDB no comando da Câmara e do Senado
“No Senado é regimental, a presidência cabe ao maior partido, e, na Câmara, há até um documento assinado por PT e PMDB estabelecendo que a presidência será do PMDB no próximo biênio. Dizer que a presidente Dilma não quer o Henrique é equivocado. Ela jamais me disse isso (...) Quando Sarney presidiu o Senado e eu presidi a Câmara, foram tempos de muita tranquilidade para o presidente Lula.”
A candidatura de Edison Lobão
“Quanto à presidente ter uma ou outra preferência, é mais do que legítimo, não caracteriza interferência, mas quem decide é o Poder Legislativo.”