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Todas as cartas na mesa

FHC empurrou Aécio, Lula foi empurrado para fora e Eduardo Campos se colocou no tabuleiro de 2014 para enfrentar Dilma. Um jogo que não será tão simples como parecia

Mais cedo do que se imaginava, 2014 chegou. Nesta segunda-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, verdadeiro líder da oposição no Brasil, lançou Aécio Neves ao Palácio do Planalto. Decidiu empurrá-lo para uma disputa antecipada, ainda que o senador mineiro, fiel à prudência e ao estilo do avô Tancredo, preferisse esperar o "amanhecer de 2014". 

No campo governista, a hipótese de que Lula voltaria para tentar um terceiro mandato já na próxima eleição parece ter sido abortada por dois fatores: o escândalo Rosegate e uma pesquisa Ibope que hoje aponta a presidente Dilma Rousseff como uma candidata mais viável do que seu mentor. Na prática, Lula foi empurrado para fora do tabuleiro.

E a grande novidade que se coloca para romper a polarização entre PT e PSDB, que marcou as últimas cinco eleições presidenciais no País (duas vencidas pelos tucanos e três pelos petistas), é o pernambucano Eduardo Campos, do PSB. Um candidato que pretende carregar as bandeiras da esquerda, sem excesso de intervencionismo na economia. Uma espécie de meio-termo entre os dois pólos aparentemente mais fortes, que se somaria à candidatura esperada de Marina Silva.

À primeira vista, a presidente Dilma é favorita absoluta, tendendo a uma vitória em primeiro turno. Mas os números da economia em 2012, bem abaixo do previsto, e a organização da tropa adversária, capaz de ecoar e amplificar denúncias que atingem o coração do PT, acrescentam uma boa dose de incerteza ao quadro eleitoral.

Um jogo que se imaginava ganho e decidido não será tão simples.