Tucano FHC virou pavão e “imortal” da Academia

Fernando Henrique agradece penhoradamente a imortalidade concedida pela ABL, instituição elitista e preocupada com o chá das cinco. Ele vai ser imortal, e quem vai recebê-lo é o jornalista Merval Pereira

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Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal — é o que podemos chamar de "o bom burguês". Respeitado e considerado nos salões de festas e reuniões, bem como nas casas da burguesia quatrocentona paulista, o ex-marxista que foi presidente da República durante oito anos quer ter também em sua biografia a "glória" de ser "imortal".

FHC é candidato a uma cadeira na conservadora e vetusta Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição privada ajudada pelo poder público, que é composta por representantes de nossa burguesia que se dedicam às letras. A burguesia que cria seus espaços para homenagear, premiar e elevar o nome de seus integrantes, pois sabem que jamais receberiam homenagens do segmento popular.

A Academia divorciada do povo e que, por intermédio de suas nomeações "imortais", agracia os donos do dinheiro ou os seus empregados de confiança, como forma concreta e evidentemente simbólica de manter a hegemonia de classe social sobre o restante da sociedade, no que diz respeito ao mundo literário e suas inúmeras escolas e vertentes — oficiais ou não.

A ABL sempre causa má impressão às pessoas quando barra na porta de seu baile à black tie escritores e poetas da grandeza de Mário Quintana e Antônio Torres, somente para exemplificar esses, porque muitos outros talentos literários tiveram de ficar na porta da comezaina dos nobres da Academia.

Homens e mulheres que se comportam como "peruas" ou socialites, porque a modéstia, a humildade e a verdadeira sabedoria passam longe desses proeminentes das letras eleitos por eles mesmos, já que fazem parte de um clube restrito, fechado cujas sedes se localizam nos endereços dos salões e dos escritórios de nossa burguesia sedenta de glória e de reconhecimento, mas que, para seu desalento, vazia de ideias, além de ser estéril no poder, quando se trata de elaborar estratégias, programas e projetos para transformar o Brasil em um País independente habitado por um povo emancipado.

FHC quer completar sua biografia. Em sua modéstia comovente e humildade exemplar, o político tucano e neoliberal afirmou, por e-mail, à presidenta da ABL, Ana Maria Machado, que "Depois de tantos amigos insistindo comigo tantas vezes, acabei cedendo. Minha reticência sempre foi a de que não sou homem de letras e não queria criar constrangimentos por ter sido presidente da República. Mas agora, passados tantos anos da presidência e mantida, se não mesmo que ampliada, a convicção de vários membros da ABL de que eu deveria juntar-me a eles, acabei por concordar".

Comovente, não? Sempre tive a impressão de que FHC — o Neoliberal — é, sobretudo, a modéstia em pessoa e a despretensão em toda sua essência. Esta realidade me causa profundo mal-estar e uma preocupação que me deixa insone. Afinal, FHC, como bem informa em sua carta eletrônica, quase se viu obrigado a se tornar "imortal" da ABL, o que lhe causou e ainda lhe causa sérias consequências de ordem psicológica e social quanto a seu status de "príncipe" dos sociólogos, apelido este dado por um monte de jornalistas abestalhados e puxa-sacos da imprensa de mercado.

Jornalistas que aderiram aos interesses de seus patrões e que viam na pessoa de FHC um Brasil culto e que, até que enfim (ufa!), poderia se reportar, em termos institucionais, culturais e acadêmicos, com os dirigentes dos países considerados por essa gente de cabeça colonizada e vitimada por um imenso complexo de vira-lata como as sociedades perfeitas, pelo menos até o ano de 2008, quando a crise financeira e imobiliária derreteu suas economias como sorvete em dia de 40 graus.

Seus apoiadores da ABL — igualmente de almas simples tal qual a do tucano FHC — são também a mais autêntica expressão da simplicidade, despojados de vaidade e orgulho, e nunca ou jamais farão política de interesse ou de agrado àqueles que habitam o pico da pirâmide social ou os meandros do poder, no caso do ex-presidente tucano, que tem influência em São Paulo, Estado da Federação controlado há 18 anos pelo PSDB e governado pelo governador direitista, Geraldo Alckmin, considerado por muitos como um membro da Opus Dei.

Os asseclas dos jornalões de negócios privados e porta-vozes da direita brasileira já se mobilizam em um frenesi de satisfação e confraternização incontrolável, afinal o seu ídolo, o neoliberal FHC, aquele que quebrou o Brasil três vezes porque foi exatamente três vezes ao FMI pedir esmolas de joelhos e com o pires na mão, vai se tornar "imortal".

O reconhecimento artificial e a "imortalidade" burguesa para os burgueses compromissados com as classes dominantes, porém, sem talento literário, tanto no que concerne à literatura ou a outros estilos de obras, como, por exemplo, as escritas pelo político trabalhista e antropólogo Darcy Ribeiro, intelectual e pensador de peso, e não apenas um escritor medíocre — a realidade nua e crua de FHC.

O tucano tem, visivelmente, dificuldade para se expressar, além de escrever mal, pois seus textos são desconcatenados no que diz respeito ao pensamento e ao assunto que ele aborda, ao ponto de não se compreender o que o futuro "imortal" pensa ou deixa de pensar. Quem não acredita no que eu afirmo que leia um livro do grão-tucano. FHC tem fama de ser intelectual; e esta fama ele tem de agradecer, encarecidamente, ao sistema midiático corporativo e privado, que sempre fez questão de colocar a cereja em seu bolo.

A Academia Brasileira de Letras mais uma vez se curva ao sistema, ou seja, a aqueles a quem a instituição serve, como serviu, sem titubear e despida de ética, à ditadura militar. O sistema de poderes das classes dominantes premia a quem lhe serviu e ainda lhe serve. É o caso de FHC. O tucano pretende ocupar a cadeira nº 36, que está vaga desde a morte do jornalista João de Scantimburgo, ex-diretor dos Diários Associados, umbilicalmente ligados às nossas elites econômicas, cujo jornal Correio Braziliense é a empresa mais forte desse grupo.

Como se observa, os membros, mortos ou vivos da ABL, no decorrer e após a ditadura militar são títeres e porta-vozes de nossa burguesia provinciana e lamentavelmente herdeira da escravidão. Segundo alguns "imortais", o ex-presidente neoliberal que vendeu o patrimônio público brasileiro que ele não construiu já conta com 38 votos. Seu companheiro de Governo, o ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer, foi responsável por levar a carta de candidatura de seu chefe.

Não convém esquecer. O diplomata Lafer, responsável por uma política externa de punhos de renda e subalterna, tirou os sapatos no aeroporto de Nova York a mando de agentes de segurança ocupantes de cargos subalternos. O ex-ministro, autoridade máxima da diplomacia brasileira, curvou-se à sua insignificância e mostrou para quem quisesse ver o quão subalternas são as nossas burguesias, vergonhosamente colonizadas e com um incomensurável complexo de vira-latas. Chique é o povo trabalhador brasileiro, que sustenta a Nação.

FHC agradece penhoradamente a imortalidade concedida pela ABL, instituição elitista e preocupada com o chá das cinco. Ele vai ser imortal, e quem vai recebê-lo é o jornalista Merval Pereira, autor de três livros, sendo que dois não passam de uma compilação do que ele escreveu em sua coluna em O Globo, cujo tema é sistematicamente o ex-presidente trabalhista, o principal político da América Latina, conhecido mundialmente e que atende pelo nome de Lula.

Fernando Henrique gosta de ter o ego massageado. É sua índole e personalidade — o seu caráter. Vaidoso ao extremo, mendiga medalhas, diplomas, moções e aplausos. Ávido por reconhecimento, abandona a plumagem de tucano e a troca por uma de pavão. Mais um pavão "imortal" da ABL. É isso aí.

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