Tudo na mão, só falta união

A oposição se perde em intermináveis querelas internas. Caciques “iluminados” hostilizam uns aos outros

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O governo Dilma já disse a que veio. Alguns avanços retóricos e certos maneirismos em relação a Lula e, estruturalmente, a mesma coisa: leniência com agressões à ética, orientação clientelística, inapetência administrativa, temor de promover inadiáveis reformas, tendência a adiar soluções.

Contraditório, condenou o apedrejamento de mulheres no Irã, mas silencia diante do assassinato do dissidente cubano Juan Wilfredo Soto Garcia, dado como morto por uma “pancreatite”, quando, na verdade, foi espancado e sofreu traumatismo craniano.

A administradora ‘austera” amplia os extravagantes 37 Ministérios de Lula para os 39 atuais. E ainda se dispunha a criar o quadragésimo, desde que ele servisse não à pequenas e micro empresas e sim a saída de um Senador para o ex-Presidente do PT ocupar sua vaga.

Loteia cargos, tanto quanto acontecia quando era Ministra-Chefe da Casa Civil, entre os partidos da fisiológica base governista. Dirige gabinete de “reabilitados”, pois nele os mais “limpos” são os que escaparam - bola na trave - de julgamentos envolvendo corrupção, improbidade, formação de quadrilha e mil delitos; a seguir vêm os que respondem a graves processos, mas ainda não foram julgados ou condenados.

Não consegue tocar as obras necessárias à organização da Copa de 2014. O PAC é o retrato de obras inacabadas ou sequer tiradas do papel.

A inflação dispara, estando já em dois dígitos para as camadas mais pobres da população. Na média, estoura o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 6.5%. Refém da farra fiscal que a elegeu e fez Lula popular, não consegue tomar medidas duras contra a entrada de dólares, que valoriza o real e prejudica o setor exportador, porque dólar valorizado significaria inflação ainda mais perigosa. E real desvalorizado significaria juros menores e, assim, menos dólares entrando em nossas bolsas: o governo necessita dessa enxurrada de dólares para tapar o rombo de suas contas externas. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.

Finge cortes orçamentários que não realizará, evita ajuste fiscal verdadeiro e foge das reformas estruturais que preparariam o Brasil para se financiar a custos mais baixos. Lula iludia o povo; Dilma terminará por iludir a si própria.

Em suma, nada vai bem, de fato, para a gestão Dilma Rousseff e, a par disso, a oposição se perde em intermináveis querelas internas. Caciques “iluminados” hostilizam uns aos outros. Política miúda: “farinha pouca meu pirão primeiro”. Eis aí ditado popular que tanto pode significar luta pela sobrevivência quanto pequenez, nanismo, egoísmo de pessoas que, em 2010, construíram 43 milhões de votos mudancistas e agora não têm o direito de se mostrar menores que as exigências da Nação.

Tudo na mão, só falta união. E lucidez. E espírito público.

 

*Diplomata, foi líder do PSDB no Senado

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