Uma cidade educada

A educação está na base dos comportamentos cotidianos e é no dia a dia que se aplica a teoria da ética e do respeito

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Invariavelmente, discute-se educação sob o foco da relação de ensino–aprendizagem em salas de aula. Teorias pedagógicas tentam acompanhar as mudanças tecnológicas e comportamentais e as habilidades que precisam ser desenvolvidas. A educação, entretanto, transcende a sala de aula. O desafio é a construção de uma cidade educada.

Não é novidade a assertiva de que a educação começa em casa. Os pais são as referências iniciais de seus filhos, são modelos a serem seguidos. E, como o comportamento provém do hábito, atitudes corretas ou incorretas começam a ser observadas desde a mais tenra idade.

Pais agressivos podem gerar filhos agressivos, pais mal-educados podem gerar filhos mal-educados. Consideremos alguns exemplos cotidianos: um pai que joga papel no chão, uma mãe que fura fila, um pai que trata com arrogância outras pessoas, uma mãe incapaz de cumprimentar o porteiro do edifício em que mora, um pai que não sabe dizer “muito obrigado”, uma mãe que trata preconceituosamente outra pessoa, um pai que tenta sempre levar vantagem. Cenas do dia a dia das cidades que influenciam outras pessoas a agir da mesma maneira.

O Rio de Janeiro fez uma enorme campanha no carnaval para que os foliões não urinassem nas ruas. É necessário fazer uma campanha dessa natureza? As pessoas não sabem o local adequado para urinar? Infelizmente, o que parece óbvio não é. Será que precisamos de outras campanhas que ensinem a dizer “por favor”, “muito obrigado”, “pois não”, “por gentileza”? E de uma campanha para ensinar que o lugar do lixo é no lixo? E de outra para mostrar que o planeta água começa a sofrer com a ausência de água e que, portanto, seu uso deve ser racional? E de outra, ainda, para mostrar que todos devem “tratar o outro como gostariam de ser tratados”?

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A educação está na base desses comportamentos cotidianos. Ser elegante melhora o humor, melhora a convivência entre as pessoas. Um líder deve corrigir seus liderados, mas com elegância. Um professor precisa impor limites aos seus alunos, mas com elegância. É assim que se constrói uma cidade educada. A partir de famílias educadas, de escolas educadas, de empresas e organizações educadas. É no dia a dia que se aplica a teoria da ética e do respeito. E sem esperar que a iniciativa seja do outro. Se cada um fizer a sua parte, conviver será uma experiência muito menos penosa. Ou melhor, profundamente agradável.

Gabriel Chalita é deputado federal e escritor

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