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Poder

Valdemar é o retrato da corrupção no Brasil

Mais do que qualquer outro político, ele transformou seu partido numa legenda de aluguel, grande a ponto de ajudar a eleger Lula, em 2002. Ali nasceu o que hoje se conhece como mensalão e durante muito tempo Valdemar mandou no Ministério dos Transportes, contribuindo para os buracos nas estradas; quando Dilma deu um basta, ele se bandeou para o lado de José Serra; de graça?

Valdemar é o retrato da corrupção no Brasil (Foto: Edição 247)
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247 – No julgamento da Ação Penal 470, fala-se muito em José Dirceu, José Genoino, Marcos Valério, Roberto Jefferson, mas há um réu praticamente esquecido pelos meios de comunicação. E que, mais do que qualquer outro, simboliza a situação atual. Seu nome? Valdemar Costa Neto. Mais do que qualquer outro político, Valdemar fez da política um grande negócio e transformou seu partido, o PR (ex-PL), numa legenda de aluguel.

Filho de um ex-prefeito de Mogi das Cruzes (SP), Valdemar ingressou na política graças à amizade com Aécio Neves, no momento em que o avô do senador mineiro, Tancredo, se preparava para assumir a presidência da República. Valdemar conseguiu alguma influência no setor aeroportuário, mas era um personagem secundário da política.

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Seu grande salto ocorreu em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva precisava conquistar o apoio da elite na quarta tentativa de chegar à presidência da República. E Valdemar tinha um trunfo: José Alencar, empresário do setor têxtil que sonhou em governar Minas Gerais e que cumpriu o papel de aproximar Lula do PIB nacional. Valdemar controlava ainda um partido, o PL, que crescia na Câmara dos Deputados e que, gradativamente, ampliava seu poder de pressão – ou de barganha – sobre o Poder Executivo.

Nessa aliança, nasceu um acordo de R$ 10 milhões, que deu origem ao que hoje se conhece como mensalão. O dinheiro arrecadado pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, ajudaria também a eleger deputados do PR que estivessem dispostos a trabalhar por Lula na disputa em 2002. E das dívidas de campanha veio a aproximação com Marcos Valério, seguida dos empréstimos junto aos bancos mineiros.

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Pelo apoio, Valdemar foi muito bem retribuído. Durante os oito anos do governo Lula, ele controlou o Ministério dos Transportes, que, embora tenha orçamento de mais de R$ 21 bilhões/ano, mantém estradas esburacadas, que tornam o escoamento da produção brasileira a cada dia mais caótico e matam dezenas de milhares de brasileiros todos os anos. Uma das figuras mais próximas a Valdemar, durante todo esse período, foi José Francisco das Neves, o “Juquinha”, da Valec, estatal responsável pelas ferrovias. Como se sabe, Juquinha enriqueceu e as ferrovias andaram devagar, quase parando. Outro amigo de Valdemar é Fernando Cavendish, dono da Delta, que o levou a Paris para assistir partidas de Roland Garros e se tornou o maior empreiteiro do PAC.

No início de seu governo, a presidente Dilma Rousseff decidiu dar um basta e demitiu Alfredo Nascimento, do PR. O partido, em vários momentos, escalou o deputado Lincoln Portela (PR-MG), como portador de recados de Valdemar, ameaçando deixar a base aliada. Dilma não recuou. Recentemente, às vésperas das eleições municipais, Valdemar deu o troco. Orientou seu partido, que em São Paulo elegeu Tirirca (o deputado mais votado do Brasil) a aderir à campanha de José Serra.

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Terá sido de graça? Em se tratando de Valdemar, provavelmente não.

O deputado está prestes a ser condenado. Ontem, o relator da Ação Penal 470, Joaquim Barbosa, antecipou que irá condená-lo por corrupção passiva e formação de quadrilha, no que deve ser acompanhado pelos demais ministros da corte. Mas a questão que fica é: até quando, figuras como Valdemar, que controlam legendas de aluguel, terão poder para comandar áreas tão estratégicas para um país, como é o caso dos transportes?

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