Base governista quer convocar pai de Mauro Cid, Crivelatti e Wassef para deporem à CPMI do 8 de janeiro
Base governista da CPMI dos Atos Golpistas quer ampliar investigação sobre caso das joias
247 - A base governista da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Golpistas está planejando uma série de convocações para expandir as investigações relacionadas ao suposto esquema de venda de joias e outros itens concedidos a Jair Bolsonaro durante seu mandato como presidente da República. Além dos requerimentos para ouvir depoimentos de indivíduos sob investigação da Polícia Federal, há também solicitações para apreender os passaportes do ex-mandatário e sua esposa, Michelle Bolsonaro.
Parlamentares têm a intenção de trazer à comissão o general Mauro César Lourena Cid, o tenente Osmar Crivelatti e o advogado Frederick Wassef. Os três foram alvos de mandados de busca e apreensão recentemente, e a PF está investigando o papel de cada um no suposto esquema, destaca o jornal O Globo. Bolsonaro e Michelle também estão sujeitos a requerimentos para depoimentos, porém, mesmo entre os membros da base governista, há opiniões divergentes sobre como abordar o assunto. Alguns defendem que o tema não deve ser tratado precipitadamente, e caso haja consenso para convocá-los, isso seria realizado em estágios mais avançados da CPI. Além disso, os governistas almejam a quebra de sigilo fiscal de Bolsonaro e Michelle, o que também foi solicitado pela PF.
O presidente da CPI, deputado Arthur Maia (União-BA), manifestou resistência em investigar o caso das joias, alegando que adentrar nesse tema converteria a comissão em um ambiente inadequado para discussões sobre o 8 de janeiro. Apesar de depoimentos já estarem agendados para terça e quinta-feira, ainda não há previsão para a votação de requerimentos. No entanto, dado o domínio governista na comissão, a base busca enfaticamente abordar o assunto, destaca a reportagem.
O deputado Rubens Júnior (PT-MA) aponta que a base governista precisará "construir essas convocações" para superar a resistência de Maia. No requerimento que solicita a convocação de Wassef, Júnior ressalta que um dos propósitos da CPI é investigar os "instigadores" e a sequência de eventos que resultaram no 8 de janeiro, incluindo transações envolvendo itens de luxo.
Em resposta às alegações, Wassef afirmou que "nunca vendeu, ofereceu ou deteve posse de nenhuma joia, tampouco auxiliou em vendas, de forma direta ou indireta". A PF mencionou o envolvimento do advogado na recompra de um relógio Rolex — a existência do item foi revelada e o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou sua devolução.
Lourena Cid é pai do tenente-coronel Mauro Cid, ex-chefe da ajudância de ordens da Presidência durante o mandato de Bolsonaro, que optou por permanecer em silêncio durante sua participação na CPI. Após a revelação de que o ex-assessor tentou vender um relógio Rolex recebido por Bolsonaro, membros da base governista intensificaram a pressão para sua reconvocação. Além disso, há um requerimento para convocar Maria Farani, ex-assessora que auxiliou Cid a redigir uma mensagem em inglês buscando compradores para o relógio. Na sexta-feira, o Exército declarou que "não compactua com eventuais desvios de conduta de seus integrantes".
O deputado Rogério Correia (PT-MG) discorda da postura do presidente da comissão e avalia que investigar o caso das joias está relacionado aos atos golpistas, uma vez que, em sua visão, as joias poderiam ter sido utilizadas para acumular recursos visando uma fuga do país e financiar tentativas de golpe. Correia também é autor de um pedido de criação de uma CPI específica na Câmara para investigar o episódio das joias, além de considerar que a CPI mista também deveria abordar o tema.
Gabriela Cid, esposa de Mauro Cid, é outra figura que os membros da base governista buscam convocar. O senador Rogério Carvalho (PT-SE), um dos que solicitou seu comparecimento à CPI, justificou sua proposta argumentando que ela "tem acesso a conteúdos extraídos do telefone celular de Mauro Cid que revelam suposto planejamento e tentativa de golpe de Estado".