Wilder Pedro de Morais, de Taquaral para o mundo

Suplente de Demóstenes, que assume em seu lugar após a cassação, é dono de construtora com sede em Aparecida de Goiânia e filial na Índia; filho de lavrador, teve infância pobre e ergueu império do nada; é ex-marido da atual mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, com quem tem dois filhos

Wilder Pedro de Morais, de Taquaral para o mundo
Wilder Pedro de Morais, de Taquaral para o mundo (Foto: Divulgação)
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Goiás247 - Com a cassação de Demóstenes Torres, o mais novo senador da República é o empresário Wilder Pedro de Morais (DEM), o primeiro suplente. Sua construtora, a Orca, está sediada em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da Capital goiana. Um escritório, ligado diretamente à matriz, fica em São Paulo. Outra empresa do grupo, a Orca Engineering & Construction Company Private Limited, fica em Mumbai, na Índia. Entre seus clientes figuram os governos federal e de Goiás, a Infraero, Carrefour, Correios, grupos Champion, Pão de Açucar e Panarello. Entre vários empreendimentos, a empresa possui cinco shopping centers, um deles em Medellín, na Colômbia.

A suplência de Demóstenes foi a primeira aventura política de Wilder. Vitorioso, logo assumiu a Secretaria de Infra Estrutura (Seinfra) do Governo de Goiás, seu primeiro cargo público, onde permanece até hoje. O empresário figura na prestação de contas de Demóstenes com uma doação inscrita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de R$ 700 mil, ou 7,6% do total declarado, de R$ 9,2 milhões.

Atualmente com 43 anos, o nome de Wilder apareceu pela primeira vez no noticiário nacional quando Demóstenes, para justificar as quase 300 conversas telefônicas com Carlinhos Cachoeira, alegou que atuava como conselheiro amoroso do contraventor, uma vez que os dois amigos se digladiavam por Andressa Mendonça, atual mulher de Cachoeira e ex do empreiteiro. “O Wilder ofereceu um jantar uma vez. E alguém levou o Carlinhos até esse jantar. Depois, me separei, e fiquei muito próxima ao Carlinhos”, disse Andressa, ao relatar como cconheceu o atual companheiro. Diálogos gravados pela Operação Monte Carlo sugerem, no entanto, que Andressa e Cachoeira já se encontravam antes do rompimento oficial com Wilder. Da união do empreiteiro com Andressa, que durou seis anos, nasceram dois filhos, um de três e outro de quatro anos.

Trajetória

Logo que assumiu a Seinfra, em 2010, Wilder concedeu uma longa entrevista ao Jornal Opção, de Goiânia, onde relatou sua infância pobre no interior de Goiás e a ambição de se tornar “doutor”: “Nasci em 1968, de uma família de cinco irmãos. Morávamos numa fazenda no interior. Meu pai era funcionário dessa fazenda. Mudamos para Taquaral (6 mil habitantes, distante 80 quilômetros de Goiânia), meu pai foi trabalhar como vigilante e depois taxista. Sempre observador, eu vi que as pessoas que tinham sucesso na cidade eram os "doutores", o doutor Davi e o doutor Sidney. Desde pequeno, então, eu percebi que para ter sucesso teria de ser doutor também, estudar.”

Wilder chegou à Capital goiana em 1984 incentivado por um amigo, Zezinho. “Em Taquaral eu estudei com um amigo, o José Alves, dono da escola de datilografia, onde fui aluno, talvez o melhor aluno. Meus pais fizeram um sacrifício grande para pagar o curso. Estudamos juntos, depois ele foi para Itauçu. Eu fui também. Ele sempre com a escola de datilografia. Depois o Zé foi para Goiânia, para estudar, e me chamou para ir, argumentando que eu poderia ajudá-lo tanto nos estudos quanto na escola de datilografia. Convenci meus pais e viemos para Goiânia. Pusemos as camas velhas num caminhão e baixamos no Jardim América, em 1984, quando o setor era um dos mais perigosos da cidade. Zezinho alugou um barraco pequeno e nós dormíamos na escola para vigiar as quatro máquinas de escrever. A escola era nosso sustento. Passávamos muitas dificuldades. A gente comia uma vez por dia. Quando estava gordo eu pesava 56 quilos; magro, ficava com 54.”

Formou-se em Contabilidade, ainda segundo seu relato ao Jornal Opção, e fez cursinho pré-vestibular no Colégio Objetivo, à época um dos mais caros de Goiânia: “Minha mãe mandou um dinheiro, eu consegui me matricular e paguei uns três meses. Depois, eu frequentava as aulas com cartão de colegas.” Wilder conta que estudava em bibliotecas públicas até por volta das 22 horas: “Eu nem podia chegar antes dessa hora na escola de datilografia, porque tinha aula. Depois que os alunos iam embora, eu arrumava o colchão no chão para dormir.”

Fez os vestibulares para engenharia nas universidades Federal de Goiás (pública) e Católica de Goiás (particular). Passou na Católica. Se inscreveu ao crédito estudantil e comia clandestinamente no restaurante universitário da Federal, com carteirinha de colegas. Wilder conta que no segundo dia de aula viu uma placa de "procura-se estagiário". “Fui lá, na empresa Construsan Engenharia, do engenheiro Alexandre Lemos Barros. Comecei como estagiário, fiquei 11 anos, e sai como presidente do grupo, com o dono sendo meu assessor.

Hoje a Orca tem obras espalhadas por Goiás, São Paulo e outros estados. Outro ramo do empresário é o de mineração, com investimentos em Goiás e perspectivas no Pará. Na área de locação, possui o Shopping Bougainville, em Goiânia; o Brasil Park Shopping, em Anápolis; outros dois em Valparaíso de Goiás e Uberaba (MG). A empresa implanta seu quinto shopping Medellín, na Colômbia, em parceria com o Carrefour. A Orca tem 80% e o Carrefour, 20% do empreendimento.

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