Zito e Zeca

O pagodeiro tem toda a razão em sentir nojo dos políticos de sua cidade, onde o lixo se amontoava antes da enchente

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Os dois poderiam fazer parte de uma mesma dupla sertaneja, mas pertencem a espécies distintas, como no texto “De homens e ratos”, escrito por John Steinbeck. Zito é José Carlos Zito, ex-prefeito de Duque de Caxias, uma das cidades mais ricas do Rio de Janeiro. Zeca é Zeca Pagodinho, ícone popular que tem casa em Xerém, distrito de Caixas, e, na última semana, mostrou ao Brasil uma face pouco conhecida: a do homem solidário e disposto a ajudar todos os desabrigados e desalojados pela chuva em sua comunidade.

Incansável, depois de várias idas e vindas ao topo da serra, Zeca Pagodinho resumiu o que sente em relação aos políticos da sua região. “Dá nojo”, disse ele.

Nojo, literalmente, era o que se podia sentir em Duque de Caxias, quando Zito, insatisfeito com a derrota para um candidato que não apoiou, simplesmente abandonou a coleta de lixo na cidade nas últimas semanas de dezembro. Sacos com restos de comida amontoavam-se pela cidade, cercados por ratos e insetos.

Em janeiro, com as tradicionais chuvas de verão, em mais uma tragédia anunciada no Rio de Janeiro, o lixo espalhado pelas ruas potencializou a cheia do Rio Capivari, deixando milhares de pessoas fora de sua casa.

Zeca Pagodinho estava lá, trabalhando dia e noite. Sobre Zito, ninguém sabe, ninguém viu. Talvez porque tivesse outras preocupações. No fim de seu mandato, Zito teve sua casa visitada por agentes da Polícia Federal, que lá cumpriram mandados de busca e apreensão. Segundo o Ministério Público, a fraude na contratação de prestadores fantasmas somaria R$ 700 milhões.

Detalhe, em 2010, no primeiro ato de sua campanha a presidente, José Serra desembarcou em Caxias. “Vim aqui rever meu grande amigo Zito, um prefeito conhecido por sua popularidade, o que pude constatar nas ruas da cidade”, afirmou Serra. Hoje, se há alguém popular na cidade, seu nome é Zeca Pagodinho.

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