À CPI, sócio da 123Milhas assume que modelo de negócios era ‘equivocado’
Ramiro Júlio Soares Madureira, porém, negou que o modelo adotado fosse um esquema de pirâmide financeira
Rede Brasil Atual - Em depoimento à CPI das Pirâmides Financeiras, o sócio e administrador da 123milhas, Ramiro Júlio Soares Madureira, admitiu que a adotou um modelo de negócios “equivocado”. Ele afirmou que teve que suspender a emissão de passagens aéreas da linha promocional, porque os preços das passagens não se comportaram conforme o previsto. Negou, porém, se tratar de um esquema de pirâmide.
A empresa projetava queda dos preços das passagens no pós-pandemia. No entanto, aconteceu exatamente o contrário, com o mercado aquecido ao longo do ano, “como se estivesse em alta temporada”. O administrador também apostava em “ganhos de eficiência” nas operações da empresa, o que também não ocorreu. “Isso abalou os fundamentos não só da Promo (linha promocional), mas de toda a 123milhas”, afirmou.
Nesse sentido, ele se desculpou pelo transtorno causado a milhares de consumidores, que não conseguiram viajar. “Não há como deixar de nos desculpar novamente com todos aqueles que foram prejudicados por um modelo de negócios, por uma linha de negócios que se mostrou equivocada”.
Também informou que a categoria Promo, com descontos de até 30%, responde por 15% dos negócios. No entanto, disse que a empresa já enfrentava outras dificuldades. Entre esses problemas estava a atuação das companhias aéreas para dificultar a emissão de milhas. “Antes da Promo, tivemos algumas outras perdas de receitas não esperadas na 123milhas”, disse.
Assim, relatou que em junho e julho ele e o irmão perceberam que as receitas eram insuficientes para custear a compra das passagens que haviam prometido aos clientes. Por conta da crise, disse que o grupo precisou demitir cerca de 1,2 mil trabalhadores.
Recuperação judicial - No dia 18 de agosto, a agência suspendeu as vendas e emissões de passagens da linha Promo para embarques previstos entre setembro e dezembro deste ano. Em vez de ressarcir em dinheiro os consumidores lesados, a 123milhas passou a emitir vouchers para que os clientes utilizassem em compras futuras somente na própria plataforma. No final do mês, a empresa entrou em recuperação judicial.
Aos parlamentares da CPI, Ramiro afirmou que, por enquanto, a recuperação judicial abrange unicamente a linha Promo. Ele contabilizou 150 mil clientes que compraram as passagens com desconto para embarque até o final do ano. Mas afirmou que ainda não sabe quantos são os que compraram para 2024.
“Esses clientes da linha promocional serão atendidos dentro do nosso plano de recuperação judicial para ver a melhor maneira de solucionar. (…) Será decidido na recuperação judicial junto com a participação de todos os órgãos públicos. Os outros 85% dos produtos da 123, de pessoas que compraram, continuam viajando sem nenhum problema”, alegou. Esses não serão afetados a princípio”.
Ele também negou que o pedido de recuperação se trata de uma estratégia para “ganhar tempo. "Gostaria de reafirmar a nossa boa fé em acreditar nessa recuperação judicial para conseguir ressarcir os nossos clientes”. Do mesmo modo, também negou que seu modelo de negócios seja uma pirâmide financeira.
“Estelionatário” - Durante a sessão, o deputado federal Delegado Caveira (PL-PA) chamou o sócio da 123 Milhas Ramiro Júlio Soares Madureira de “estelionatário”. “Está aqui o empresário, que eu vou chamar de estelionatário – está muito claro, sou delegado há 12 anos -, que disse que vai continuar com essa empresa nefasta que vem dando prejuízo imenso ao Brasil, ao povo”, afirmou o parlamentar.
A declaração deu início a um bate-boca com o advogado do depoente, que reclamou do uso da imunidade parlamentar para “ofender” o seu cliente. “Ele é um estelionatário, sim. Respeite minha fala”, reagiu Caveira.