Aras é contra divulgar íntegra da reunião de Bolsonaro com ministros

Vídeo com pressão do presidente para mudar o comando da PF, segundo o ex-ministro Sergio Moro, traria conteúdos “sensíveis” e momentos constrangedores

Augusto Aras e Bolsonaro
Augusto Aras e Bolsonaro (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF | Marcos Corrêa/PR)
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Rede Brasil Atual - O procurador-geral da República, Augusto Aras, disse neste domingo (10) que é contra a divulgação de “assuntos estranhos” ao inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal, segundo acusações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro. 

Alinhado com Bolsonaro, Aras afirmou, em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, que “é preciso ter cuidado” com a divulgação do vídeo, e defendeu que apenas os diálogos travados entre o presidente e o seu então ministro devam vir a público.

Os vídeos foram entregues na última sexta-feira (7), após recursos da Advocacia-Geral da União (AGU), que resistiu à solicitação feita pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello. Derrotado, o Palácio do Planalto solicitou que a gravação não seja revelada na íntegra.

As justificativas, tanto do governo como do procurador-geral, é que o vídeo traria “assuntos sensíveis à segurança nacional” ou que poderiam criar “embaraços internacionais”.

Grosserias

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a gravação conteria ofensas de Bolsonaro à China, além de ameaças a Moro caso ele discordasse da exoneração de Maurício Valeixo – então diretor-geral da Polícia Federal. Outro momento constrangedor para o governo teria xingamentos proferidos pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, contra os 11 ministros do STF.

Aras também afirmou que, até o momento, “não há réus, nem há crimes”, no inquérito envolvendo Bolsonaro e Moro. “É preciso concluir os trabalhados de investigação.”

No pedido de abertura do dito inquérito, Aras tipificou a possibilidade de ocorrência dos crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de justiça, que teriam sido cometidos por Bolsonaro, segundo o depoimento do ex-ministro. Já Moro pode responder por corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra.

Atos antidemocráticos

Em nome da liberdade de expressão, Aras também afirmou que Bolsonaro não cometeu nenhum crime ao participar de atos antidemocráticos que pedem o fechamento do Congresso Nacional e do STF.

Tais manifestações também são alvo de inquérito que tramita em sigilo, com relatoria do ministro Alexandre de Morais. As investigações, segundo o procurador-geral, buscam identificar os organizadores e financiadores dessas mobilizações.

“A fala do presidente, isoladamente, não tem nenhum conteúdo atentatório contra as instituições, nem que possa se caracterizar como antidemocrático”, afirmou Aras. Contudo, ele defendeu a independência entre os poderes da República, e disse que “democracia participativa” é a única “ideológica” admissível, no Brasil.

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