As prévias, o previsível e o imprevisto

O que ocorrer nas capitais de Minas e São Paulo deverá ser determinante para a sucessão de Dilma em 2014

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Este fim de semana foi marcado por duas importantes e previsíveis decisões relativas às próximas eleições municipais. Em São Paulo o PSDB confirmou a candidatura de José Serra à prefeitura da capital, colocando fim ao autofágico processo que prometia fazer o partido perder a hegemonia municipal. Em Belo Horizonte, outra hegemonia - a massacrante de Aécio Neves -, prevaleceu até sobre os históricos opositores petistas, que pronunciaram um envergonhado amém aos planos do cardeal mineiro, reeditando a obtusa aliança PSDB-PT em torno de Márcio Lacerda.

Sem qualquer nostalgia da política de café com leite e da República Velha, o que ocorrer nas capitais de Minas e São Paulo deverá ser determinante para a sucessão de Dilma em 2014. Uma improvável derrota de Serra em Sampa o deixará, definitivamente, fora do jogo sucessório, talvez da vida pública. Sua vitória acrescentará a pitada de incerteza com a qual não contavam todos os demais concorrentes à Presidência, incluindo Lula e Aécio. O primeiro continuará sem a sua sonhada base em terras tucanas, obrigando-o, mais uma vez, a compensar o déficit em São Paulo com vitórias expressivas em outras regiões. O segundo verá seu principal adversário no PSDB recuperar parte de sua força e prestígio comprometidos pela derrota em 2010.

Em que medida a provável vitória de Serra poderá levá-lo de volta ao quadro eleitoral de 2014 dependerá, na minha opinião, do quanto ela conseguir expressar uma vitória da oposição ao chamado lulo-petismo. Caso limite seu alcance às paróquias paulistana e tucana pouco acrescentará, creio, ao quadro sucessório que já se vinha desenhando há tempos. A questão é saber se a mensagem e a proposta de Serra serão capazes de falar não só aos paulistanos, mas aos brasileiros. E em dois momentos distintos: na campanha propriamente dita e na execução do plano de governo. Quanto ao primeiro momento Serra parece atrasado, no mínimo. Sua candidatura ainda não representa sequer um esboço de oposição ao lulo-petismo: o vácuo de oposição ainda não foi preenchido. Serra deveria estar encabeçando um grande esforço, de caráter nacional e supra-partidário, em busca da vitória da oposição nas principais cidades brasileiras. E seu programa de governo (que poderia ser compartilhado com outras candidaturas oposicionistas em outras cidades) deveria conter aspectos do debate nacional, como o fracasso das políticas de educação e saúde e a opção desindustrializante. E sugestões de ações no âmbito municipal.

Só Serra poderá desempenhar esse papel, que não foi escrito para Aécio. Aliás, é marcante a diferença entre os dois: Aécio alia-se ao PT para dar continuidade ao seu projeto; Serra o combate. Aécio pretende ser uma opção de continuidade; Serra só pode ser de rompimento. Aécio significa que Dilma continuará sem oposição até 2014; Serra precisa assumir este papel!

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Roney Maurício é economista e mora em Belo Horizonte (MG)

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