Briga por chiclete expõe histórico de violência e leva piloto a ser alvo de quatro denúncias no DF
Além da agressão que deixou um adolescente em coma, jovem de 19 anos é investigado por outros episódios
247 - A agressão motivada por uma brincadeira com chiclete que deixou um adolescente de 16 anos em coma, no Distrito Federal, revelou um histórico mais amplo de episódios violentos atribuídos ao piloto e empresário Pedro Arthur Turra, de 19 anos. Ao todo, quatro ocorrências envolvendo o jovem estão sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
As informações foram divulgadas no G1. Dois dos casos só vieram à tona nos últimos dias, após vítimas reconhecerem Pedro Turra em reportagens sobre a agressão mais recente.
O episódio que desencadeou a repercussão ocorreu na noite de sexta-feira (24), na porta de um condomínio em Vicente Pires, quando Pedro Turra trocou socos com um adolescente de 16 anos durante uma discussão banal envolvendo chiclete. O jovem agredido permanece internado em estado crítico e em coma.
Pedro foi preso em flagrante por lesão corporal gravíssima, mas acabou liberado no sábado (25) após pagar fiança estipulada em 15 salários mínimos, o equivalente a R$ 24.315. A defesa informou que não irá se manifestar sobre os casos.
Quatro ocorrências em apuração
Além da agressão mais recente, a Polícia Civil apura outros três episódios envolvendo o piloto. Um deles foi registrado ainda em junho de 2025, logo após o fato. Outro boletim foi formalizado pela família da vítima no dia seguinte à briga em Vicente Pires. Já os dois casos restantes são antigos, mas só foram levados à delegacia após as vítimas reconhecerem Pedro Turra em reportagens exibidas nesta semana.
Entre as denúncias está uma briga de trânsito ocorrida em julho do ano passado, em Águas Claras. Um homem de 49 anos relatou que, após um acidente, foi acusado de ser o responsável pela colisão e acabou agredido pelo piloto e amigos. Um vídeo obtido pela polícia mostra o momento em que Pedro dá dois tapas no rosto do motorista durante a discussão.
Denúncia de fornecimento de álcool a menor
Outra ocorrência envolve uma jovem de 18 anos, que procurou a 38ª Delegacia de Polícia após a repercussão do caso para denunciar que foi forçada a ingerir bebida alcoólica quando ainda era menor de idade. Segundo o delegado Pablo Aguiar, o fato teria ocorrido em junho de 2025, durante uma festa no Jóquei Clube de Brasília.
A jovem entregou à polícia um vídeo em que aparece tentando se afastar enquanto Pedro segura uma garrafa de vodca. Sobre a decisão tardia de registrar a denúncia, o delegado explicou:
“Ela não tinha comunicado esse fato antes. Resolveu procurar a delegacia agora. Inclusive, ela é amiga pessoal dele e da companheira dele”.
O episódio resultou na abertura de um segundo inquérito policial. Caso seja comprovado, Pedro pode responder por fornecer bebida alcoólica a criança ou adolescente, crime cuja pena varia de dois a quatro anos de prisão.
Agressão em praça pública
A Polícia Civil também investiga uma agressão registrada em 28 de junho de 2025, em uma praça de Águas Claras. Um jovem de 18 anos afirmou ter sido atacado com socos no rosto e nas costelas durante uma discussão com Pedro Turra.
Diante da soma de ocorrências, a polícia avalia medidas cautelares mais rigorosas. Segundo o delegado responsável pelo caso, pode ser solicitada à Justiça a apreensão do passaporte do investigado, para evitar eventual risco de fuga.
“Cabe à Justiça tomar essa decisão. Não é mais com a delegacia. A gente agiu, a gente prendeu e hoje ele está em liberdade não por vontade policial”, afirmou.
Depoimento após a prisão
Em depoimento prestado logo após a prisão em flagrante, que durou cerca de quatro minutos, Pedro Turra afirmou que a briga começou como uma brincadeira entre amigos.
“Eu e meus amigos, a gente tem uma brincadeira de ficar jogando chiclete nos outros. Eu joguei no Luquinhas, a gente ficou rindo, e alguém falou: ‘foi quase no Rodrigo’”, disse.
Segundo o investigado, o adolescente reagiu verbalmente, e a situação escalou rapidamente.
“E aí, ele [Rodrigo] já falou: ‘Se fosse em mim, eu ia quebrar na porrada’. (…) Aí, eu desci do carro e falei ‘então fala na minha cara’”.
Pedro alegou que tentou apenas conter a situação.
“Nos vídeos, você vê que eu estava tentando apartar, só que ele não parava. Aí, eu tive que… se não, ele não ia parar”.
Outros jovens que estavam com Pedro no local também prestaram depoimento como testemunhas. Alguns relataram que o adolescente teria manuseado um canivete antes da briga, embora o objeto não apareça nas imagens de câmeras de segurança analisadas até o momento.
As investigações seguem em andamento, e a Polícia Civil trabalha para reunir imagens, depoimentos e laudos que possam esclarecer a dinâmica dos episódios e eventual responsabilidade criminal do investigado.