CAL de volta às origens

Festival Latino-Americano de Arte e Cultura, realizado no fim dos anos 80, ter uma edio em 2012. A novidade ser a incluso de pases africanos, adianta Zulu Arajo

Natalia Emerich_Brasília 247 – Em 1987, a Universidade de Brasília inaugurou a Casa da Cultura da América Latina (CAL) para a realização do primeiro Festival Latino-Americano de Arte e Cultura. O evento, que teve a segunda edição em 1989, reuniu dançarinos, atores, músicos e escritores, que trouxeram conhecimentos de quase toda a América Latina e estreitaram os laços entre o Brasil e os países vizinhos. Mais de 20 anos depois, em celebração aos 50 anos da UnB, a cidade será tomada por manifestações multiculturais de povos que contribuíram para a formação da identidade brasileira. O nome do evento até mudou, uma vez que a terceira edição agregará o continente africano. O Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura será de 21 de abril a 2 de setembro.

"Incluir o continente é um reflexo real da própria universidade, onde cada vez mais estudantes se assumem negros", afirma o coordenador geral do festival e diretor da CAL, Zulu Araújo. Para ele, o projeto contempla os ideais de Darcy Ribeiro, fundador e primeiro reitor da universidade. "Ele defendia a valorização dos chamados povos novos, frutos das duas grandes tragédias ocorridas na América Latina: colonização e tráfico negreiro."

Durante três meses, a comunidade do Distrito Federal terá acesso a grandes eventos culturais gratuitos de artes integradas: espetáculos de música, dança e teatro, cursos, exposições, oficinas e encontros literários. O objetivo é criar um ambiente de trocas de experiências entre pessoas de culturas distintas e complementares. "Temos dois grandes desafios importantes: estabelecer um diálogo mais simétrico entre os países da América Latina e dar continuidade à recente política nacional que visa à maior conexão com países africanos", explica Araújo. A programação ainda não está fechada, mas a organização promete grandes nomes da cultura internacional, brasileira e local.

A edição de 2012 do festival também terá como característica a descentralização dos eventos artístico-culturais. Além das casas de espetáculo de Brasília – Teatro Nacional, Museu da República e Centro Cultural Banco do Brasil –, a programação será realizada simultaneamente em Planaltina, em Ceilândia, no Gama e em Taguatinga, onde a UnB mantém atividades acadêmicas e de grandes manifestações artísticas e culturais. Na visão de Araújo, quanto mais opções para difundir o pluralismo cultural de países distintos, mais rico será o evento. "O que nos distingue da condição de animal é ser portador da cultura", defende.

Orçado em R$ 10 milhões, o Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura tem apoio da Lei Rouanet e terá parcerias com instituições governamentais e empresas estatais e privadas.

Cinco décadas de UnB

O Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura será também um presente para a Universidade de Brasília, que completará 50 anos em 2012. "A universidade é conhecida pelas ideias inovadoras, essa fusão cultural e artística é mais uma prova disso", afirma Zulu Araújo. "A cultura não pode ser vista como apêndice educacional, ela é parte do processo."

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