Choveu, o problema é seu

No Distrito Federal, as consequncias so grandes e viraram tradio: aumenta o nmero de buracos, de alagamentos e todo dia parte da populao fica no escuro

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Natalia Emerich_Brasília 247 – Há cinco dias as chuvas não dão trégua ao Distrito Federal. A previsão é de que o tempo fechado permaneça até o fim da semana. Com a água, vêm também alagamentos em várias regiões, queda de energia e formação de buracos no asfalto, responsáveis por acidentes e muitos carros quebrados.

Enquanto uma parcela dos funcionários da Companhia Energética de Brasília (CEB) faz greve, consumidores convivem com apagões frequentes. Na terça-feira (8), consumidores da Asa Norte, Taguatinga, São Sebastião e outras localidades ficaram no escuro. "Normalmente, no período chuvoso, os sistemas de distribuição de energia ficam mais suscetíveis a intempéries", justifica o diretor de Operação da CEB, Fábio Tadeu Antônio Batista.

Ventos que levam materiais e objetos para as redes elétricas; curtos-circuitos mais constantes provocados pelo excesso de água e danos a postes de energia atingidos por acidentes de carros ficam mais frequentes. Para o professor de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB) Mauro Moura Severino, a queda nos sistemas energéticos durante as chuvas é normal. O problema é no Distrito Federal é outro. "Temos uma rede sobrecarregada."

A aparição de buracos no asfalto é outro grande transtorno que piora com as chuvas. Na avaliação do professor de engenharia civil da UnB José Camapum, a falta de manutenção preventiva é a principal causa. "O pavimento envelhece naturalmente com o tempo, mas ainda que seja novo, se não houver recuperação preventiva, ele não resiste", alerta.

A Secretaria de Obras informa que os trabalhos nas ruas foram intensificados agora que os buracos reapareceram. No período da seca, 31 equipes se encarregaram de tampar os buracos. Com as chuvas, o número subiu para 35 equipes, formadas por funcionários da Novacap e de empresas terceirizadas. A secretaria espera que até dezembro 50 estejam trabalhando nas ruas. Quem quiser ajudar pode ligar para o telefone 3403-2626 e informar a localização de buracos ou pedir reparos em boca de lobo ou corte de mato alto.

Os estudantes da UnB Natasha Albuquerque, 19 anos, e Luan Haickel, 20, resolveram ajudar os motoristas distraídos. Desde junho, pintaram alvos de vermelho e branco em mais de 40 buracos no Plano Piloto. A iniciativa chamou a atenção do governo local, que agora se empenha para tapar as crateras antes que os alvos sejam marcados. "Até agora quase todos os buracos pintados foram cobertos", afirma Natasha.

Eles estão preparando um mutirão com 50 pessoas para percorrer cidades satélites e ampliar a ação caça-buracos em 20 de novembro. O ponto de encontro será no Parque da Cidade para a distribuição de tintas e pincéis. De lá, os voluntários seguirão para regiões diferentes. Qualquer pessoa pode participar ou fazer denúncias, é só mandar um e-mail para [email protected]

Alagamento na certa

Enquanto os estudantes trabalham para acabar com os buracos, outro problema decorrente das chuvas parece não ser solucionado: os alagamentos. A cidade planejada por Lucio Costa não comporta os temporais. Em pouco tempo de chuva forte, a água cobre tesourinhas, bueiros, viadutos, casas e até a UnB está sujeita a inundações todos os anos.

Para evitar consequências mais sérias, a aposta da Secretaria de Obras é o Projeto Águas do DF. A previsão, no entanto, é de que os primeiros editais sejam lançados no início do ano que vem. Ainda na promessa, a expectativa é de que várias obras de melhorias no sistema de drenagem urbana – com preservação de nascentes, recuperação de erosões e construção de bacias para conter as águas – sejam feitas na Asa Norte, nas quadras 1/2 e na altura da 10; na Asa Sul, nas quadras do meio; em Taguatinga, nas Avenidas Comercial, Samdu e Hélio Prates; e nos Condomínios Pôr do Sol e Sol Nascente, em Ceilândia. O projeto está orçado em R$ 330 milhões.

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