Como é a Colmeia, onde Zambelli cumprirá pena após extradição
Presídio feminino no DF reúne cerca de 800 internas, oferece educação e saúde, mas também acumula denúncias de violações de direitos humanos
247 - A Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida como Colmeia, é a unidade prisional indicada pelo Supremo Tribunal Federal para custodiar a ex-deputada Carla Zambelli, caso a extradição autorizada pela Justiça italiana seja confirmada. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo e integram o material enviado às autoridades da Itália para detalhar as condições do sistema prisional brasileiro.
A determinação de envio à Colmeia foi feita em dezembro pelo ministro Alexandre de Moraes. A unidade é considerada de segurança média e abriga mulheres em regime fechado, semiaberto e também presas provisórias, que ainda aguardam julgamento.
Localizada no Distrito Federal, a penitenciária tinha, em dezembro, cerca de 800 internas, segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária do DF. A estrutura é organizada em blocos e alas separadas, com critérios que levam em conta o regime de cumprimento da pena, a concessão de benefícios externos e as condições de vulnerabilidade das custodiadas.
Além da custódia, a Colmeia oferece atividades voltadas à ressocialização. Há salas de aula para alfabetização, ensino fundamental e médio, além de bibliotecas e oficinas de trabalho. As internas também têm acesso a cursos profissionalizantes em parceria com instituições como Senac, Senai e o Instituto Federal de Brasília.
No campo da saúde, a unidade dispõe de atendimento médico em diferentes especialidades, incluindo ginecologia, clínica geral, psiquiatria, psicologia e odontologia. Também há assistência pediátrica, e as recém-chegadas passam por acolhimento com equipe multiprofissional vinculada à rede pública de saúde do Distrito Federal.
A estrutura inclui ainda alas específicas para gestantes e lactantes, permitindo que mães permaneçam com seus bebês por ao menos seis meses. Segundo o governo local, são fornecidos itens básicos, como enxoval e produtos de higiene, além de acompanhamento pré-natal e encaminhamento hospitalar em casos de maior risco.
Na área de segurança, o presídio conta com equipamentos como body scan, scanners de objetos e sistemas eletrônicos de monitoramento. De acordo com a Vara de Execuções Penais, não há registro de rebeliões na unidade, e os policiais penais são concursados, submetidos a investigação social e formação específica.
Apesar da infraestrutura descrita em relatórios oficiais, a Colmeia também é alvo de questionamentos. Em 2024, uma petição apresentada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos relatou supostos episódios de tortura, transfobia e maus-tratos contra presos trans entre 2019 e 2023. As denúncias mencionam desde agressões verbais até dificuldades de acesso a atendimento jurídico e alimentação adequada.