Costa confirma propina a Sérgio Guerra, do PSDB

Ex-diretor da Petrobras relatou à CPI nesta tarde ter se encontrado "por volta de 2009" com o então senador Sérgio Guerra, do PSDB, para que pagasse propina a fim de que a CPI que investigava denúncias contra a estatal na época pudesse ser "ignorada", ou "acabada" ou "postergada"; em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa já havia mencionado o pagamento de R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB, hoje falecido; "Esse valor foi efetivado, foi pago, e esse evento (a CPI) depois deixou de ter prioridade, deixou de ter efetividade. É um fato real que ocorreu", confirmou ele hoje na comissão

Ex-diretor da Petrobras relatou à CPI nesta tarde ter se encontrado "por volta de 2009" com o então senador Sérgio Guerra, do PSDB, para que pagasse propina a fim de que a CPI que investigava denúncias contra a estatal na época pudesse ser "ignorada", ou "acabada" ou "postergada"; em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa já havia mencionado o pagamento de R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB, hoje falecido; "Esse valor foi efetivado, foi pago, e esse evento (a CPI) depois deixou de ter prioridade, deixou de ter efetividade. É um fato real que ocorreu", confirmou ele hoje na comissão
Ex-diretor da Petrobras relatou à CPI nesta tarde ter se encontrado "por volta de 2009" com o então senador Sérgio Guerra, do PSDB, para que pagasse propina a fim de que a CPI que investigava denúncias contra a estatal na época pudesse ser "ignorada", ou "acabada" ou "postergada"; em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa já havia mencionado o pagamento de R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB, hoje falecido; "Esse valor foi efetivado, foi pago, e esse evento (a CPI) depois deixou de ter prioridade, deixou de ter efetividade. É um fato real que ocorreu", confirmou ele hoje na comissão (Foto: Gisele Federicce)
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247, com Agência Câmara - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa confirmou à CPI da Petrobras nesta terça-feira 5 teor de depoimento que havia prestado à Justiça Federal, em que acusa o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) e o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, já falecido, de cobrança de propina para evitar investigações de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a estatal no Congresso.

Ele disse não saber se era uma CPI da Câmara ou CPI Mista – com participação de senadores – mas assegurou que o pagamento foi feito ao então senador Sérgio Guerra. Costa não mencionou a quantia, nem a maneira como esse dinheiro teria sido pago, mas garantiu ter sido informado do pagamento pela empresa Queiroz Galvão. Em depoimento à Justiça, ele já havia mencionado o pagamento de R$ 10 milhões para que Guerra "ignorasse" ou "acabasse" ou "postergasse" o tema no Legislativo.

Segundo ele, o encontro com Sérgio Guerra foi intermediado por Eduardo da Fonte e teria ocorrido em um hotel no Rio de Janeiro. "Recebi um pedido do deputado Eduardo da Fonte, do PP de Pernambuco, que pediu para se encontrar comigo e, chegando lá, para minha surpresa, estava também o senador Sérgio Guerra. Eles me disseram que estava ocorrendo uma CPI sobre a Petrobras e que isso poderia ser minorado ou postergado, mas que precisava ter um ganho, um ajuste financeiro", disse.

Costa afirmou depois: "Esse valor foi efetivado, foi pago, e esse evento (a CPI) depois deixou de ter prioridade, deixou de ter efetividade. É um fato real que ocorreu". O ex-diretor da Petrobras negou hoje ter retificou seu depoimento para mudar a versão e disse que a própria imprensa, que noticiou o fato, se retificou depois. Ele assegurou que não muda "uma linha" do que já depôs à Justiça Federal, mas voltou a dizer que a propina saía da margem de lucro das empresas, e não de superfaturamento na estatal.

Segundo ele, as empresas embutiam um adicional que podia chegar a 3% a mais na sua margem de lucro para o pagamento de propina. Ele explicou isso ao responder pergunta do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que o questionou a respeito de variações em seus depoimentos sobre a origem da propina: se saía da margem de lucro ou se era derivada de sobrepreço nas licitações.

"Se a empresa achava que, para ela, era confortável ganhar 12%, ela acrescentava 3% de propina dentro da margem de lucro", disse. Costa atribuiu o sucesso do esquema à formação de cartel pelas empresas contratadas. "Se não tivesse a formação de cartel, [o sobrepreço] não existiria", disse. Ele negou que as propinas fossem fruto de "achaque" por parte dos diretores da Petrobras, como afirma a defesa das empresas acusadas.

Doação de campanha feita por empresa é "empréstimo", diz Costa

Paulo Roberto Costa disse que doações de campanha feitas por empresas a partidos políticos não passam de uma espécie de "empréstimo" – como já tinha dito em depoimentos de delação premiada.

"Não existe doação que depois a empresa não queira recuperar. Isso foi dito a mim por empresários", disse. "Várias doações oficiais vieram de propina. Está claro na operação Lava Jato", acrescentou.

"Por que uma empresa vai doar R$ 20 milhões para uma campanha, se lá na frente ela não vai querer isso de volta? Não existe almoço grátis", concluiu.

Ex-diretor da Petrobras diz estar arrependido e culpa "maus políticos"

Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, começou seu depoimento à CPI da Petrobras se dizendo arrependido pelos atos ilícitos que cometeu na empresa e isentando a estatal de responsabilidade pelo esquema de desvio de dinheiro e pagamento de propina.

“Nada disso teria acontecido se não fossem alguns maus poíticos. A origem do que aconteceu na Petrobras foi maus políticos, que fizeram tudo isso acontecer”, disse. Ele afirmou que os deputados têm agora a oportunidade de romper com o que chamou de “sistema podre”.

Segundo o ex-diretor da estatal, dos 35 anos em que trabalhou na Petrobras, apenas nos últimos sete ele teve contatos e envolvimento com políticos, o que fez com que ele fosse nomeado diretor. “Não se chega à diretoria da Petrobras sem apoio poítico. Tive a infelicidade de aceitar apoio político para chegar lá e me arrependo”, disse.

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