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Brasília

Cristovam quer aprovação das reformas de Jango

Para o senador do PDT-DF, a inflação e a violência urbana são produtos da falta da reforma agrária que João Goulart queria fazer em 1964, assim como o aumento do analfabetismo é produto da falta de uma profunda reforma na educação, que ainda impedem o Brasil de obter avanços econômicos e sociais em todos os setores

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Senador Cristovam Buarque (PDT-DF) discursa em sessão especial para lembrar o cinquentenário do Comício das Reformas, em 13 de março de 1964, organizado pelo governo federal, com presença do presidente da República, João Goulart, na Central do Brasil, Rio (Foto: Leonardo Lucena)
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Agência Senado - A inflação e a violência urbana são produtos da falta da reforma agrária que João Goulart queria fazer em 1964, assim como o aumento do analfabetismo é produto da falta de uma profunda reforma na educação, que ainda impedem o Brasil de obter avanços econômicos e sociais em todos os setores.

A avaliação foi feita nesta sexta-feira (4) pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), em sessão especial para lembrar os 50 anos do Comício das Reformas, no qual o presidente João Goulart anunciou mudanças que seriam promovidas em seu governo, o que acabou precipitando a sua deposição por um golpe militar.

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No comício, Jango anunciou que faria a desapropriação de terras improdutivas próximas a rodovias, ferrovias e açudes feitos com recursos federais, como forma de evitar a especulação fundiária, aumentar a produção de alimentos e facilitar o escoamento, e que as refinarias particulares passariam ao controle da Petrobras. Dias depois, o presidente seria deposto pelos militares, que só deixariam o poder em 1985.

- Jango encarnava a vontade de nascimento de um Brasil novo, e a vontade do Brasil era a de sair de um país feudal para um país industrial; sair de um país de servidão dos camponeses para um país de respeito aos operários; sair de um país dependente, quase colônia, para um país independente – afirmou Cristovam.

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Compuseram a Mesa o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), autor do requerimento para a realização da sessão; o presidente do Instituto João Goulart e filho do ex-presidente, João Vicente Goulart; o conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Aldemário de Araujo Castro; o assessor político da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre José Ernani Pinheiro; e a secretária-geral do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic), pastora Romi Bencke.

Na primeira parte da sessão, foram reproduzidos trechos do discurso de 65 minutos feito por João Goulart em 13 de março de 1964, no comício que reuniu 200 mil pessoas na Central do Brasil, no centro do Rio de Janeiro, em apoio às chamadas reformas de base – agrária, bancária, eleitoral, administrativa e universitária. A homenagem também contou com a presença de embaixadores e representantes do Ministério da Justiça, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical e Nova Central Sindical, entre outras lideranças.

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Atualidade

Cristovam disse que as reformas de Jango foram derrotadas, mas muitas delas continuam até hoje à espera de serem realizadas . Segundo ele, "o Brasil que ansiava nascer foi interrompido", e no lugar das mudanças foram feitas reformas de modo conservador. A industrialização, afirmou, beneficiou uma minoria, com a construção de uma demanda de bens para ricos, que teve início com o automóvel, e beneficiou a concentração de renda no país.

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O senador lamentou que as reformas fundamentais não tenham sido feitas, acrescentando que a reforma feita acabou atrelando a universidade a um projeto conservador e não a um projeto transformador. Ele lembrou que os estudantes se revoltaram contra a ditadura e a imposição de um modelo elitista, comprometido com uma economia para privilegiados.

- As reformas que vieram criaram uma dinâmica econômica com exclusão, que hoje representa uma apartação social com alguns programas de transferência de renda de um lado do muro para o outro, mas sem trazer a modernidade para quem continua precisando de ajuda – afirmou.

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Se a reforma agrária tivesse sido feita em terras improdutivas, disse Cristovam, os trabalhadores não precisariam ter migrado para as cidades, que não teriam se transformado nas "monstrópolis" atuais. E se mudanças tivessem ocorrido no setor bancário, os juros e a dívida pública seriam hoje menores, o que daria ao sistema financeiro nacional um instrumento de dinamismo da economia a serviço do povo, ressaltou o senador.

Cristovam disse ainda que o programa visando a erradicação do analfabetismo, que tinha o educador Paulo Freire como diretor, teria dado eficiência e produtividade aos trabalhadores, que teriam alternativas e não precisariam vender voto porque têm fome ou precisam de uma camisa. A ciência e a tecnologia também seriam beneficiadas, afirmou o senador, lembrando que o Brasil "tem hoje quatro vezes mais analfabetos que naquela época".

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Para Cristovam, a reforma política "talvez seja a mais visível das reformas de que o Brasil ficou órfão", em razão da corrupção e do desvirtuamento da política, feita com interesses escusos e incompatíveis com a distribuição de benefícios sociais.

- Estamos tão carentes de um João Goulart hoje como estávamos carentes dele 50 anos atrás. Sua proposta está tão viva e necessária hoje como estão vivos a idéia de reforma e o nome João Goulart – afirmou.

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