Cunha: Janot teve motivação política

Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou, em depoimento na CPI da Petrobras, que houve motivação política para a citação de seu nome na lista com pedido de abertura de inquérito encaminhada ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base nas investigações da Operação Lava Jato, da PF; "O Ministério Público escolheu a quem investigar; não investigou a todos, não teve um critério único para todos e, por motivações de natureza política, ele escolheu aqueles que eram alvos de investigação", disse Cunha

Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou, em depoimento na CPI da Petrobras, que houve motivação política para a citação de seu nome na lista com pedido de abertura de inquérito encaminhada ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base nas investigações da Operação Lava Jato, da PF; "O Ministério Público escolheu a quem investigar; não investigou a todos, não teve um critério único para todos e, por motivações de natureza política, ele escolheu aqueles que eram alvos de investigação", disse Cunha
Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou, em depoimento na CPI da Petrobras, que houve motivação política para a citação de seu nome na lista com pedido de abertura de inquérito encaminhada ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base nas investigações da Operação Lava Jato, da PF; "O Ministério Público escolheu a quem investigar; não investigou a todos, não teve um critério único para todos e, por motivações de natureza política, ele escolheu aqueles que eram alvos de investigação", disse Cunha (Foto: Leonardo Lucena)

Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou hoje (12), em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, que houve motivação política para a citação de seu nome na lista com pedido de abertura de inquérito encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base nas investigações da Operação Lava Jato da Polícia Federal.

"O Ministério Público escolheu a quem investigar; não investigou a todos, não teve um critério único para todos e, por motivações de natureza política, ele escolheu aqueles que eram alvos de investigação", disse Cunha durante o seu depoimento, citando como exemplo o pedido de arquivamento da investigação sobre o senador Delcídio Amaral (PT-MS).

O petista foi citado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, nos depoimentos de sua delação premiada. Costa disse que, quando o senador era diretor de Gás e Energia da Petrobras, entre 2000 e 2002, recebeu valores supostamente ilícitos da empresa francesa Alstom."Não estou fazendo nenhuma denúncia contra o Delcídio, só estou fazendo um embasamento a respeito da petição", concluiu.

No depoimento, prestado de forma espontânea, Cunha criticou a petição encaminhada por Janot, na qual é pedida a abertura de inquérito contra ele pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, classificando-a como "piada".

Ele rebateu as acusações formuladas por Janot, a partir da delação premiada do doleiro Alberto Youssef, de que o deputado recebeu propina pelo contrato de aluguel de um navio-plataforma das empresas Samsung e Mitsui. Ainda de acordo com Youssef, Cunha teria pressionado as empresas, por meio de requerimentos na Câmara, por terem parado de pagar a propina.

"Eu não assinei nem fiz pedido para que apresentassem requerimento", afirmou Cunha. "Se havia suspeição de que esses requerimentos pudessem ter sido feitos por suposta pressão, por que o procurador não considerou necessária a abertura de inquérito?", questionou.

Cunha reclamou ainda de Janot não ter investigado a autoria dos requerimentos, feitos pela ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ) e o deputado Sérgio Britto (PSD-BA); em um deles, eles solicitavam ao Ministério de Minas e Energia informações detalhadas sobre contratos da Petrobras com a Mitsui. Na outra solicitação, queriam acesso a auditorias do TCU.

Ele também refutou a denúncia de Youssef de que o executivo Julio Camargo, representante da Camargo Correa, pediu para que um percentual da propina fosse pago ao PMDB. Os pagamentos, segundo Yousseff eram feitos pelo lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, que, segundo o doleiro representava o PMDB na Petrobras. De acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR) os pagamentos, no montante de R$ 500 mil, aconteceram por doações eleitorais oficiais.

"Isso é uma afirmação leviana", criticou Cunha para quem a afirmação seria uma forma de criminalização das doações legais de campanha. "Se for para dizer que a doação da Camargo [Correa] contra um é motivo para a abertura de inquérito e contra os outros não é, está se escolhendo quem se quer investigar", repetiu.

Cunha também desmentiu as acusações feitas a partir dos depoimentos do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, preso em novembro, e que disse ter entregado dinheiro de propina na casa do deputado. Cunha mostrou que a casa apontada pelo delator pertence ao advogado Francisco José Reis. "Ele [Janot] insiste em querer aprofundar a investigação, mas se ele teve a chance de pegar o delator preso [Youssef] e pegou o termo [da delação] no dia 11 de fevereiro, porque ele não intimou o policial, porque ele fez essa omissão?", questionou.

Cunha negou que o lobista Fernando Soares, o Baiano, tenha sido operador do PMDB no esquema de desvios na Petrobras e que o partido tenha indicado o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. "O PMDB não indicou em momento nenhum Nestor Cerveró", disse.

Ao finalizar seu depoimento, Cunha disse, referindo-se ao Palácio do Planalto, que o pedido de abertura de inquérito é uma tentativa de transferir a crise para o outro lado da rua: "Dizer que o pedido de abertura de inquérito não constrange, constrange, principalmente quem está no exercício de chefia do poder. Colocar de uma forma irresponsável e leviana por escolha política de alguém para investigação é criar um constrangimento para transferir a crise do outro lado da rua para cá e nós não vamos aceitar".

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