Dallagnol duvida de seus pares na Lava Jato: "eles poderão trabalhar contra a corrupção do modo combativo como trabalhei?"
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) já teria maioria formada para afastar o coordenador da força-tarefa. Desesperado, Dallagnol pôs à prova até os colegas: "eles poderão trabalhar contra a corrupção de modo combativo como trabalhei, sem medo de sofrerem retaliações?”
Revista Fórum - O coordenador da Lava Jato em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol, mostrou certo desespero, nesta segunda-feira (17), ao divulgar um “textão” no Twitter contra a possibilidade de ser afastado da operação.
Isso porque o julgamento do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que pode afastá-lo da Lava Jato está previsto para acontecer nesta terça-feira (18) e, de acordo com um dos integrantes do Conselho, já há maioria formada contra Dallagnol.
“Após 6 anos de Lava Jato, eu jamais fui punido ou sequer foi instaurado processo disciplinar por meus atos em investigações e processos, analisados com lupa pela Justiça e sociedade”, escreveu em meio a uma sequência de tuítes.
“O que está em jogo não é apenas o meu futuro ou o da Lava Jato. O exemplo que vai ficar será um recado para o futuro de promotores e procuradores. Eles poderão trabalhar contra a corrupção de modo combativo como trabalhei, sem medo de sofrerem retaliações?”, completou.
O julgamento do CNMP atende a duas ações contra Dallagnol: uma apresentada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) e outra apresentada pela senadora Kátia Abreu (PP-TO).
Renan acusa o procurador de ter atuado politicamente contra sua eleição para a presidência do Senado, em 2019, enquanto Kátia Abreu aponta irregularidades na tentativa de criação de uma fundação por Dallagnol para receber R$ 2,5 bi que foram pagos pela Petrobras em processo nos EUA. O caso envolveu toda uma negociata do procurador diretamente com autoridades dos EUA, como revelou reportagem da Vaza Jato.