Desgastado no caso Master, Ibaneis busca evitar dobradinha do PL no DF
Governador tenta unificar palanque ao Senado em Brasília enquanto enfrenta crise política e rombo bilionário no BRB
247 - Desgastado pela crise envolvendo o banco Master e o Banco de Brasília (BRB), o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), intensificou articulações para evitar que o PL consolide uma chapa dupla ao Senado na capital federal. Em declaração ao O Globo, ele afirmou que pretende trabalhar até o último momento por um palanque único em Brasília.
A movimentação ocorre diante da possibilidade de o PL lançar as candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado pelo Distrito Federal, o que poderia dificultar alianças. Ibaneis busca apoio para impedir a formação da dobradinha e sustentar seu projeto eleitoral.
No plano nacional, o governador indicou que o apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência ainda não está definido. Ao GLOBO, declarou: “Vou trabalhar para que tenhamos um palanque único em Brasília até o último momento. Quanto à minha candidatura, sigo firme como fiz desde o início. Quanto ao Flávio, ainda não conversei com ele”.
O desgaste político se intensificou após a negociação envolvendo o BRB e o banco de Daniel Vorcaro, controlador do Master. Em depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro, Vorcaro afirmou que conversou com Ibaneis sobre a venda da instituição ao BRB, banco controlado pelo governo distrital.
O governador nega irregularidades. Questionado sobre críticas e sobre a posição da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), afirmou que “política se faz com calma”. Damares assinou requerimento para que ele prestasse esclarecimentos na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
O documento, também subscrito pelos senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Leila Barros (PDT-DF), afirma que Ibaneis é “garoto propaganda do banco Master”. As articulações do ex-presidente Jair Bolsonaro também têm provocado ruídos em outros estados, como Santa Catarina.
A Caixa Econômica Federal negocia a compra de carteiras de crédito do BRB, medida que pode reforçar a liquidez do banco enquanto se busca solução para um rombo estimado em ao menos R$ 5 bilhões no balanço, devido às provisões necessárias para cobrir possíveis perdas com ativos herdados do Master.
Na sexta-feira, o governo do DF enviou à Câmara Legislativa projeto de lei que autoriza o Executivo, como acionista controlador do BRB, a adotar medidas para recompor o patrimônio e o capital social da instituição, incluindo aporte direto de recursos, venda de bens públicos e outras alternativas previstas nas normas do sistema financeiro nacional