Em posse do novo ministro da Justiça, Lula cita caso Master e afirma que o país vai derrotar o crime organizado
Presidente mencionou operações recentes em discurso na cerimônia
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15) que o Brasil vai derrotar o crime organizado e citou o caso do Banco Master como exemplo de ações recentes do Estado no enfrentamento a esquemas criminosos. A declaração foi feita durante a cerimônia de posse do novo ministro da Justiça, Wellington Cesar Lima e Silva. As informações são do jornal O Globo.
Momento favorável no trabalho institucional
Lula afirmou que o país vive um momento favorável no trabalho institucional voltado à Justiça. O presidente mencionou uma reunião realizada na manhã desta quinta-feira no Palácio do Planalto, com a participação de ministros de Estado e representantes do Supremo Tribunal Federal (STF), da Procuradoria-Geral da República (PGR), da Polícia Federal (PF) e do Banco Central.
"Nunca tivemos tanta oportunidade, tanta chance de chegar no andar de cima da corrupção e do crime organizado neste país como agora", afirmou o presidente durante o discurso. Na sequência, Lula enumerou operações conduzidas nos últimos meses e citou diretamente o Banco Master.
"Nesse exato momento histórico do Brasil, depois da operação Carbono Oculto, que foi a maior operação feita pela Polícia Federal junto com a Polícia de São Paulo, junto com a Receita Federal. Depois da Refit, quando conseguimos bloquear cinco navios com 250 milhões de litros de gasolina contrabandeada. Depois da situação do Banco Central com o Banco Master, eu quero falar ao meu delegado da Polícia Federal, ao procurador-geral deste país, falei ao presidente da Suprema Corte, estou falando ao ministro, ao advogado-geral da União, mas hoje nós fizemos uma reunião para dizer o seguinte: nós vamos mostrar que o Estado brasileiro vai derrotar o crime organizado", declarou.
Tema central da reunião
Após a reunião realizada pela manhã, o ministro da Justiça afirmou que o caso Master foi tratado como tema central do encontro. Horas depois, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou que o Banco Master não foi o tema central da reunião. De acordo com a Secom, o ministro se referia ao crime organizado ao mencionar o eixo da discussão, embora não tenha sido descartada a possibilidade de o caso ter sido abordado de forma lateral.
O Banco Master teve suas operações encerradas pelo Banco Central no fim de 2025, após um período de crise que incluiu o veto à tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília, controlado pelo Distrito Federal. A liquidação foi decretada depois de o controlador do banco, Daniel Vorcaro, tentar vender a instituição para outra empresa do setor financeiro.
Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga indícios de fraudes em transações entre o Banco Master e o BRB, com valores estimados em R$ 12,2 bilhões. Atualmente, ele está em prisão domiciliar, em São Paulo, monitorado por tornozeleira eletrônica e cumpre medidas cautelares.
Operações contra esquemas bilionários
A Operação Carbono Oculto, mencionada por Lula em seu discurso, desmantelou um esquema bilionário de sonegação fiscal, fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação cumpriu mais de 300 mandados em oito estados e identificou importações avaliadas em mais de R$ 10 bilhões, créditos tributários de R$ 8,6 bilhões e movimentações financeiras de R$ 52 bilhões. Segundo o Ministério Público, foram detectadas fraudes na adulteração de gasolina, álcool e diesel distribuídos em mais de 300 postos.
A outra ação citada pelo presidente faz referência à operação que teve como foco central o Grupo Refit, proprietário da antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, além de diversas outras empresas do setor de combustíveis. As investigações apuram um esquema de fraude no recolhimento de impostos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e no Distrito Federal. Ao todo, foram 190 alvos, com a expedição de 126 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas.


