Especialistas em segurança digital apontam falhas no relato de 'hacker'

Especialistam apontam que o método descrito por Walter Delgatti Neto para obter mensagens é "ultrapassado" , que não seria usado por um hacker com capacidade de chegar aos principais nomes do cenário político nacional, e demandaria mais do que poucos meses para executá-lo

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247 - Especialistas em segurança digital ouvidos pelo jornal El País apontam incoerências entre o relato do "hacker de Araraquara" Walter Delgatti Neto para obter diálogos de autoridades brasileira e o modus operandi necessário para uma invasão dessa importância e com tamanha abrangência  

Segundo o empresário Daniel Lofrano Nascimento, que atua há mais de 15 anos no setor de cibersegurança, a narrativa descrita pelo "hacker" é "muito improvável". 

Além de considerar o método de invasão por caixa postal "ultrapassado" —que não seria usado por um hacker com capacidade de chegar aos principais nomes do cenário político nacional—, Nascimento explica que demandaria mais do que poucos meses para executá-lo. 

"Eles ligaram para mais de 1.000 caixas postais, uma por uma, em poucos meses? É muito trabalho. Não dá para hackear 1.000 telefones, mesmo que estivermos falando de quatro hackers de ponta. É um número altíssimo. E ninguém considera eles hackers ou crackers . Segundo a própria PF, são estelionatários", argumenta o especialista.  

Para a professora de Sistemas da Computação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, Kalinka Castelo Branco,  a hipótese de acesso ao Telegram das vítimas por meio da caixa postal é possível, mas ressalta: "Não é um ataque comum nem trivial. Requer conhecimento técnico muito sofisticado". Além disso, Castelo Branco vê práticas incomuns para um grupo com potencial de hackear a cúpula da República. "O que a maioria dos atacantes faz quando obtém esse código é trocar todas as senhas para bloquear o acesso da vítima. Não foi o caso".

Leia na íntegra a reportagem do El País. 

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