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Fiocruz: inseticida usado no DF não combate o Aedes

Quatro dos cinco inseticidas autorizados pela Anvisa para combater o mosquito Aedes aegypti não são eficazes, pois o inseto se tornou resistente aos produtos, em Brasília; segundo pesquisadores da Fundação Fiocruz, o Lambda-Cialotrina, aplicado pela Secretaria de Saúde na cidade, não mata o bicho; o governo do Distrito Federal alega seguir recomendações do Ministério da Saúde, mas, de acordo com a pasta, o executivo local é independente para fazer os estudos; em apenas uma semana, o número de casos de dengue aumentou 80,3% — são 2.161 casos em 2016; duas grávidas contraíram zika no DF, segundo o mais recente Boletim Epidemiológico

Quatro dos cinco inseticidas autorizados pela Anvisa para combater o mosquito Aedes aegypti não são eficazes, pois o inseto se tornou resistente aos produtos, em Brasília; segundo pesquisadores da Fundação Fiocruz, o Lambda-Cialotrina, aplicado pela Secretaria de Saúde na cidade, não mata o bicho; o governo do Distrito Federal alega seguir recomendações do Ministério da Saúde, mas, de acordo com a pasta, o executivo local é independente para fazer os estudos; em apenas uma semana, o número de casos de dengue aumentou 80,3% — são 2.161 casos em 2016; duas grávidas contraíram zika no DF, segundo o mais recente Boletim Epidemiológico (Foto: Leonardo Lucena)

Brasília 247 - Quatro dos cinco inseticidas autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para combater o mosquito Aedes aegypti não são eficazes, pois o inseto se tornou resistente aos produtos, em Brasília. Segundo pesquisadores da Fundação Fiocruz, o Lambda-Cialotrina, aplicado pela Secretaria de Saúde na cidade, não mata o bicho. 

O governo do Distrito Federal (GDF) alega seguir recomendações do Ministério da Saúde. Mas, de acordo com a pasta federal, o executivo é independente para fazer os estudos. Em apenas uma semana, o número de casos de dengue aumentou 80,3% — são 2.161 casos em 2016. Duas grávidas contraíram zika no DF, segundo o mais recente Boletim Epidemiológico divulgado nesta quarta-feira (17).

Denise Valle, pesquisadora da Fiocruz, explica que o uso indiscriminado dos inseticidas provocou a ineficácia dos produtos. “Isso era uma ação de emergência, mas substituiu a eliminação dos focos”, disse ela ao Correio Braziliense.

Até 2000 se usavam compostos organofosforados para controle do Aedes, mas, com o tempo, o produto perdeu a eficácia e deu lugar a outro veneno, da classe piretroides. São os mesmos vendidos em supermercados. O mosquito também ficou imune a eles. “A resistência a esses inseticidas se deu em apenas três anos. Leva-se até 30 anos para se constituir um novo produto”, acrescentou.

Segundo a Fiocruz, da lista regulada pela Anvisa, apenas o Malathion ainda é eficaz. O GDF chegou a utilizar o produto, que acabou e foi reposto pelo Lambda-Cialotrina — ineficaz. A pasta não sabe precisar a porcentagem do uso dos dois produtos no combate.

“Nem sempre o Ministério (da Saúde) manda os dois. Às vezes, não manda nenhum”, informou a assessoria de comunicação da pasta. Também não foi informado quando foi feito o último repasse e qual é o estoque. O insumo é repassado pelo Ministério da Saúde, que apura a constatação da Fiocruz.

O professor de biologia Marcello Lasneaux tem mestrado em bioética pela Universidade de Brasília (UnB) e, desde 2013, acompanha o uso de inseticidas na saúde pública. Segundo o estudioso, essa forma de controle é ineficiente mesmo quando o veneno funciona.

“O carro fumacê não tem efeito residual, ou seja, mata o mosquito apenas naquela hora. Além disso, os venenos não têm dispersão, não chegam aonde os insetos se escondem. Mata só se ele estiver voando. A ineficiência desse controle é mostrada nos dados epidemiológicos”, explica. “A melhor saída é evitar que o mosquito nasça, evitando as larvas. Fumacê tem um efeito psicológico apenas".