Greve nos hospitais do DF piora atendimento

No Hospital Regional de Taguatinga, o saguão do pronto-socorro permanece cheio, mesmo sem nenhuma previsão para atendimento; no Hospital Regional de Ceilândia, um único funcionário informava a quem chegava que diversos profissionais aderiram à greve e que não há atendimento no local; Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Distrito Federal informou que a categoria aprovou, em assembleia na manhã desta quinta-feira, o endurecimento da paralisação; uma nova assembleia foi marcada para a próxima terça-feira 20

No Hospital Regional de Taguatinga, o saguão do pronto-socorro permanece cheio, mesmo sem nenhuma previsão para atendimento; no Hospital Regional de Ceilândia, um único funcionário informava a quem chegava que diversos profissionais aderiram à greve e que não há atendimento no local; Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Distrito Federal informou que a categoria aprovou, em assembleia na manhã desta quinta-feira, o endurecimento da paralisação; uma nova assembleia foi marcada para a próxima terça-feira 20
No Hospital Regional de Taguatinga, o saguão do pronto-socorro permanece cheio, mesmo sem nenhuma previsão para atendimento; no Hospital Regional de Ceilândia, um único funcionário informava a quem chegava que diversos profissionais aderiram à greve e que não há atendimento no local; Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Distrito Federal informou que a categoria aprovou, em assembleia na manhã desta quinta-feira, o endurecimento da paralisação; uma nova assembleia foi marcada para a próxima terça-feira 20 (Foto: Gisele Federicce)
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Paula Laboissière - repórter da Agência Brasil

Apesar da pouca idade, a secretária Rose Evangelista, 33 anos, aguarda ansiosa pelo momento em que se tornará avó. A filha dela, de 16 anos, está internada na maternidade do Hospital Regional de Samambaia desde a madrugada de hoje (15), mas Rose não tem notícias se o parto já aconteceu e tenta conseguir algum tipo de informação por meio do rádio dos seguranças.

"Há quase duas semanas, eu e minha filha temos ido de hospital em hospital, quase todos os dias, para tentar uma internação. Com a greve, não conseguíamos nada. Hoje, como a bolsa estourou e ela já chegou com cinco centímetros de dilatação, tiveram que interná-la. Só que o hospital não aceita acompanhante e não há funcionário para trazer informação pra gente", queixa-se Rose.

Sentada ao lado de Rose na porta do hospital, a vendedora Jane Ferreira Mattos, 25 anos, também aguarda notícias da irmã, internada ontem (14), na mesma maternidade, com 41 semanas de gestação. Segundo Jane, há um pedido expresso de cesariana por parte do obstetra que fez o pré-natal da irmã, mas a cirurgia só poderá ser feita amanhã (16) pela manhã.

"Eles só fazem cesárea em último caso. Agora, com a greve, a coisa ficou ainda mais difícil. Mesmo com indicação do obstetra, não conseguimos a cirurgia ainda. Tenho andado com ela há três dias em busca de um bom hospital. Falaram para mim que o atendimento aqui era bom, mas todos os telefones estão cortados e não tenho informação sobre a saúde dela e do bebê", reclama Jane.

No Hospital Regional de Taguatinga, o saguão do pronto-socorro permanece cheio, mesmo sem nenhuma previsão para atendimento. Pela manhã, alguns pacientes que tentavam fazer a ficha de cadastro foram orientados a voltar para casa, já que o número reduzido de profissionais fez com que apenas casos graves fossem aceitos no local. Mesmo em meio a uma crise de asma, o filho de oito anos da manicure Ludmilla Pereira, 27 anos, encontrou dificuldade para ser atendido.

"Ele já chegou a ficar internado duas vezes – uma delas por 15 dias. Tudo por causa da asma. Já faltou à escola ontem e hoje. Fomos à UPA [Unidade de Pronto Atendimento] mais próxima de casa, mas lá também não tinha médico atendendo. Meu filho já perdeu dois dias de escola. A nebulização que faço em casa não está dando conta de ajudá-lo. Só saio daqui hoje depois de ser atendida", reclamou Ludmilla.

Na porta do mesmo hospital, a professora Ana Maria Oliveira, 53 anos, tentava convencer a equipe médica a internar a sobrinha grávida que sofre com um quadro de vômitos e diarreia: "Ela já está em trabalho de parto. O bebê está em sofrimento fetal e temos uma ecografia que mostra isso. O obstetra disse que ela não tem força para um parto normal em razão do quadro de desidratação. Se isso não configura emergência, o que mais é uma emergência?", questionou a professora.

A equipe de reportagem da Agência Brasil também esteve no pronto-socorro do Hospital Regional de Ceilândia, onde um único funcionário informava a quem chegava que diversos profissionais aderiram à greve e que não há atendimento no local. Em meio a diversos pacientes, apenas um rapaz, que sofreu um acidente de trabalho grave, conseguiu ser encaminhado para atendimento com um cirurgião.

Com o braço engessado há quase 40 dias, a dona de casa Margarida de Aguiar, 69 anos, não se conforma com a falta de médico no local: "Era para eu ter tirado um raios-X cerca de 15 dias após a minha queda, mas até hoje não consegui. Não há ortopedista atendendo. Estão todos de greve. Não sei o que vou fazer. Não sei que dia eles voltam a trabalhar. Só Deus sabe. Parece que, quanto mais velho a gente fica, mais abandonado a gente se sente. Ninguém tem respeito pelas pessoas de mais idade".

A assessoria de imprensa do Sindicato dos Médicos dos Distrito Federal informou que a categoria realizou assembleia na última terça-feira (13) e decidiu pela manutenção da greve, iniciada no último dia 8. Eles aguardam agora um posicionamento por parte do governo para iniciar as negociações.

O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Distrito Federal informou que a categoria aprovou, em assembleia na manhã de hoje, o endurecimento da paralisação. Uma nova assembleia foi marcada para a próxima terça-feira (20) em frente ao Hospital de Base.

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