Há 500 dias, Lula é um sequestrado político da organização criminosa da Lava Jato, diz Pimenta

Em discurso na tribuna da Câmara, o líder do PT, Paulo Pimenta, defendeu a liberdade do ex-presidente Lula, cuja prisão política completa 500 dias nesta terça-feira, 20; “Agora, o povo brasileiro descobriu não só que não existem provas contra Lula como também que havia uma relação criminosa entre o ex-juiz Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e outros membros da Lava Jato"

Brasília- DF. 20-08-2019  Deputados Paulo Pimenta durante discurso. Foto Lula Marques
Brasília- DF. 20-08-2019 Deputados Paulo Pimenta durante discurso. Foto Lula Marques (Foto: LULA MARQUES)

Do PT na Câmara - O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), denunciou hoje (20) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um verdadeiro “sequestrado político” há 500 dias em Curitiba, vítima de um processo político no qual foi condenado sem provas.

“Agora, o povo brasileiro descobriu não só que não existem provas contra Lula como também que havia uma relação criminosa entre o ex-juiz Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e outros membros da Lava Jato, num conluio para rasgar as leis e a Constituição e criar condições para condenar Lula numa fraude e tirá-lo da corrida presidencial do ano passado”, denunciou o líder do PT.

Interesses estrangeiros

Segundo Pimenta, a condenação do ex-presidente se inseriu numa trama alimentada por interesses fora do Brasil, que começou com o afastamento da presidenta legítima Dilma Rousseff no golpe de 2016, o impedimento da candidatura de Lula nas eleições de 2018 e procedimentos calculados para prejudicar a de Fernando Haddad.

“O objetivo era entregar o pré-sal a estrangeiros, privatizar ativos da Petrobras e quebrar a soberania nacional, tirando o protagonismo internacional que o Brasil adquiriu com os governos do PT e transformar o País em quintal dos interesses dos Estados Unidos, com a eleição de Bolsonaro”, comentou Pimenta.

Liberdade de Lula

Pimenta lembrou que nestes 500 dias em que está preso, Lula, com total dignidade, desafiou o ex-juiz Sérgio Moro e os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4º Região a apresentarem qualquer prova contra ele, e nada apareceu. Ao contrário, reportagens do site The Intercept Brasil e veículos de comunicação da mídia tradicional – com base em conversas entre integrantes da Lava Jato pelo aplicativo do Telegram — provam a existência de um esquema criminoso no âmbito da força-tarefa em Curitiba.

Para Pimenta, as revelações do último fim de semana da Folha de S. Paulo mostram, na verdade, a criação de uma “verdadeira quadrilha” na Lava Jato. Ele lembrou que o jornal revelou que além da ilegal atuação entre Moro e procuradores, para perseguir alvos específicos, em especial o ex-presidente Lula, houve também conluio com auditor da Receita Federal para acessar dados confidenciais de contribuintes sem haver ordem judicial, entre eles pessoas da família de Lula e até o caseiro de um sítio em Atibaia.

Prisão arbitrária

O líder do PT reafirmou a inocência de Lula, que nestes 500 dias de prisão arbitrária tem recebido não só a solidariedade do povo brasileiro, mas também de personalidades de todo o mundo, de parlamentares a juristas e militantes em prol da democracia e do respeito às garantias individuais. “São personalidades mundiais que atestam a inocência de Lula e pedem um julgamento justo”, destacou Pimenta.

“A libertação de Lula é um imperativo para todos os que acreditam na democracia, valorizam a Constituição”, disse Pimenta. “A liberdade de Lula é mais que a liberdade de uma pessoa, é a liberdade do direito de sonhar de uma nação que clama por soberania, democracia e justiça”.

Governo criminoso

“Valeu a pena essa associação criminosa?”, provocou o líder do PT, ao lembrar que a Lava Jato abriu caminho para a eleição do direitista Jair Bolsonaro, a nomeação de Moro para o Ministério da Justiça e a sucessão de ataques aos direitos sociais e trabalhistas do povo brasileiro, além do desmonte do Estado.

Pimenta citou, por exemplo, ataques de Bolsonaro à autonomia da Polícia Federal e da Receita Federal, inclusive para facilitar a atuação de milicianos no Rio de Janeiro, entre eles o desaparecido Fabrício Queiroz, apontado como líder de um esquema criminoso ligado à família Bolsonaro.

Pimenta disse que o atual governo não ataca o problema do desemprego – são quase 15 milhões de desempregados e outros 30 milhões de subempregados – e ainda corrói as instituições, ao rasgar a Constituição, violar o Estado Democrático de Direito e transformar o Palácio do Planalto “numa ponta da organização criminosa ligada à família Bolsonaro”.

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