Maio, mês do divórcio político em Brasília

Cristovam Buarque diz que está na hora do PDT e o PSB procurarem o Psol para construir uma alternativa política na Capital Federal

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Maio é tradicionalmente o mês das noivas, dos casamentos. Mas na política brasiliense maio, este ano, vai ser o mês da separação. Do divórcio político. O mês começa com a ausência do PDT nas bases do GDF de Agnelo. A “turma da mudança” sofre a sua primeira crise conjugal 16 meses após o casamento, ou melhor, início de governo.

Desta forma, Agnelo perde o apoio de um distrital, um deputado federal e de um senador, Cristovam Buarque.

“Eu disse a ele que não faríamos mais parte do governo dele. Não vamos para a oposição, pois ela é rorizista” – explicou Cristovam o posicionamento do PDT doravante.

É possível que o GDF comece maio também sem o PSB. Está previsto um 1º de maio sem a presença dos socialistas no palanque oficial. Rollemberg cobra de seus correligionários uma postura crítica à “Turma da Mudança”. Mas ainda encontra nas hostes partidárias correligionários que preferem as benesses dos cargos públicos à separação política.

Outro que pode ficar de fora é o PPS. A ordem já veio da direção nacional. Se os ex-comunistas não quiserem largar o osso do GDF, o presidente do partido, Roberto Freire, ameaça intervir na legenda.

Como ficará então o governo Agnelo? Ficará como uma noiva abandonada no altar?

Quem responde é o ex-governador Cristovam Buarque:

“O PT ficará sozinho, cercado de vários partidos conservadores.”

E o quadro política local? Também Cristovam lança uma proposta:

“Está na hora de procurarmos o Psol, conversamos com o Toninho – candidato a governador que ficou em terceiro lugar nas últimas eleições. Está na hora de se reunir com o PSB. Precisamos construir uma alternativa aos desmandos de Roriz e de Arruda. Algo que Agnelo prometeu fazer e não fez.”

O PSOL desponta assim como um diferencial na política local. É o único que não bebeu na fonte rorizista, arrudista ou agnelista. Na “Turma da Mudança de Agnelo tinha de tudo um pouco. É verdade que a estrutura partidária é pequena, mas o capital ético que acumulou é grande. O PSOL obteve cerca de 200 mil votos no primeiro turno e, no segundo turno das eleições de 2010, foi muito criticado por não ter declarado apoio a Agnelo – embora para isso tenha recebido até a oferta de dirigir a secretaria de Saúde do DF. O tempo dá razão à postura eqüidistante do partido que nasceu de uma costela do PT, mas que se rebelou contra ele por ocasião das denuncias do mensalão.

As conversas tendem a acontecer nas próximas semanas e meses. Um pedido de impeachment de Agnelo foi protocolado pelo PSOL. Doravante, é possível que ele possa contar com o apoio de pedetistas e pessebistas, que levem à frente esta proposta e – já que o Psol não possui representação distrital – defendam as idéias dele.

É esperar para ver. Como disse Tancredo Neves uma vez, a política é como as nuvens do céu. A cada hora que olhamos para elas, elas apresentam um formato diferente.

 

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